A inflação no Brasil vai atingir 6,4% em 2014, último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff . A projeção foi feita pelo Banco Central (BC) no Relatório Trimestral de Inflação divulgado na manhã desta terça-feira. O valor está próximo do teto da meta de inflação, que varia de 2,5% (mínimo) a 6,5% (máximo). A nova estimativa para o cenário de referência traçado pelo BC é maior do que os 6,3% projetados em setembro.
Se confirmada a projeção, nos quatro anos do governo Dilma, o IPCA se manteve em patamares elevados, mais próximos do teto da meta. Em 2011, a inflação fechou em 6,50%. Em 2012, o IPCA recuou para 5,84% e voltou a subir para 5,91% no ano passado.
No cenário de mercado, que leva em consideração a trajetória para a taxa Selic e o câmbio desenhada pelos analistas do mercado financeiro, o IPCA vai fechar o ano também em 6,4%. A projeção anterior era de 6,3%.
Projeção para 2015
Para o próximo ano, o BC projeta que um IPCA de 6,1%. O valor é maior do que os 5,8% projetados no final de setembro, antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) retomar o processo de alta da taxa Selic em doses mais fortes, depois das eleições presidenciais. A projeção leva em conta o cenário de referência que serve de base para as decisões do Copom. De acordo com novas projeções, o IPCA vai fechar 2016 em 5%.
Para o cenário de mercado, o IPCA fechará 2015 em 6%. A estimativa anterior para o cenário de mercado era de 6,1%. Para 2016, o BC projeta que o IPCA ficará em 4,9% no cenário de mercado
Preços administrados
O Banco Central projeta que a variação do conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, tanto no cenário de mercado quanto no de referência, é de 5,3% para 2014. Nos últimos dois relatórios, essa previsão era de 5% nos dois cenários.
O expectativa de alta, explica o documento do BC, considera variações ocorridas até novembro nos preços da gasolina (2,3%) e do gás de bujão (4,3%), bem como as hipóteses, para o acumulado de 2014, de recuo de 6,4%
nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 18,2% nos preços da eletricidade.
No relatório anterior a setembro, o BC previa aumento de 0,2% para a gasolina até agosto e de 0,3% para o gás de bujão. Também previa, na época, que para o acumulado de 2014 haveria um recuo de 6,3% nas tarifas de telefonia fixa e um aumento de 16,8% nos preços da eletricidade.
A autoridade monetária também revisou a previsão de reajuste dos preços administrados para os próximos dois anos. Em ambos os cenários, a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados em 2015 subiu de 6,0% no último relatório em setembro para 6,2% agora. O BC leva em conta hipóteses de aumento de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa e de 17% nas tarifas de eletricidade. Para 2016, passou de 4,9% para 5,2%.
BC reduz de 0,7% para 0,2 % projeção de alta do PIB em 2014
A presidente Dilma Rousseff vai terminar o seu primeiro mandato com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,2 % em 2014. É o que prevê o Banco Central (BC) no Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta terça-feira.
No documento, o BC ficou ainda mais pessimista com o desempenho da economia este ano. A previsão anterior, feita em setembro pelo BC, era de que o PIB teria uma expansão de 0,7%. No início do ano, o BC chegou a prever uma alta de 2% do PIB brasileiro em 2014.
Confirmada a nova previsão do BC, será o pior desempenho econômico do País desde 2009, ainda no governo do ex-presidente Lula, quando o PIB brasileiro sofreu uma retração de 0,33% por conta dos efeitos da eclosão da crise financeira internacional. O PIB de 2014 também será o mais baixo dos quatro anos do governo Dilma. Em 2011, o crescimento foi de 2,73%; 1% em 2012 e 2,49% em 2013.
Para 2015, primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma, o BC projeta um crescimento de 0,6% até o terceiro trimestre.
Indústria
A crise na indústria é a principal responsável pelo fraco desempenho da economia do Brasil em 2014. O BC prevê uma queda de 1,4% do PIB industrial este ano. Em setembro, a previsão era de uma desaceleração de 1,6% da indústria. Para 2015, o BC estima que a indústria terá uma queda de 0,3% até o terceiro trimestre.
O setor de serviços deve crescer 0,7% em 2014 e a agropecuária, 1,4%. As previsões anteriores eram de alta de 2,3% do PIB do agronegócio e de 1,2% do setor de serviços. Para 2015, O BC estima um crescimento de 3,1% da agropecuária até setembro e de 0,5% do setor de serviços.
FBCF
Mesmo com todos os estímulos dados pelo governo, os investimentos no Brasil vão levar um tombo em 2014. Os dados do BC projetam uma queda de 7,1 % na chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica a capacidade de produção do País. A estimativa anterior era de que os investimentos teriam um recuo de 6,5%. Para 2015, o cenário continua ruim. O BC estima que a FBCF terá um uma queda de 1,8% até
o terceiro trimestre.
O BC também reviu para 1% a projeção de consumo das famílias em 2014 ante 1,6% na estimativa anterior. Até o terceiro trimestre de 2015, o BC projeta um crescimento de 0,5% no consumo das famílias. O consumo do governo deve crescer esse ano 1,8%. O valor é maior do que os 1,7% projetados pelo BC há três meses. Para 2015 até o terceiro trimestre, o BC estima que o consumo do governo vai desacelerar e crescer 0,9 %.
BC eleva projeção de inflação de 6,3% para 6,4% em 2014
Primeiro mandato de Dilma encerrará com crescimento de 0,2% no PIB