O novo presidente da Petrobras não agradou ao mercado, pelo menos em um primeiro momento. A notícia de que Aldemir Bendine deixaria o comando do Banco do Brasil para assumir a petrolífera fez os papéis da estatal recuarem cerca de 7% e o Ibovespa ceder 0,90%, aos 48.792,27 pontos. Tudo porque, na visão de boa parte do mercado, Bendine não tem autonomia suficiente em relação ao Planalto para resgatar a companhia.
A notícia de que Bendine seria o escolhido para a vaga de Graça Foster já impactava as cotações pela manhã. A avaliação não era boa, já que o mercado esperava alguém com maior independência política, inclusive em relação à presidente Dilma Rousseff. Quando um fato relevante foi divulgado para oficializar Bendine, pouco depois das 15 horas, a Bovespa colocou as ações da Petrobras em leilão.
Ao saírem, os papéis aprofundaram um pouco as perdas, mais em sintonia com o que esperava o mercado, mas o efeito foi pontual. No fim, porém, Petrobras ON teve baixa de 6,52%, aos R$ 9,03, e PN recuou 6,94%, aos R$ 9,12, após terem mostrado baixas maiores durante a sessão. Em meio ao noticiário da saída de Bendine do BB, os papéis ON do banco cederam 3,91%, aos R$ 21,90.
Além de Bendine, outro executivo do BB também foi para a estatal. Ivan Monteiro será o novo diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores em substituição a Almir Guilherme Barbassa. Sua escolha foi um contraponto do governo para tentar minimizar o estrago do nome de Bendine sobre as ações da petrolífera. Ele era vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do banco, enquanto Bendine era o presidente do banco. Os outros diretores escolhidos ocuparão os cargos interinamente e saíram da própria empresa, com gerentes nas vagas de seus superiores.
Solange da Silva Guedes substitui José Miranda Formigli Filho em Exploração e Produção. Em Abastecimento, assume Jorge Celestino Ramos, antes gerente executivo de Logística da área, no lugar de José Carlos Cosenza. A diretoria de Gás e Energia ficará com o atual gerente executivo da área Hugo Repsold Júnior, em substituição a José Alcides Santoro Martins. Para substituir José Antônio de Figueiredo como diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais entra o atual gerente executivo de Engenharia para Empreendimentos Submarinos, Roberto Moro.
A novela da Petrobras soma-se ao quadro debilitado da economia brasileira, que ganhou hoje o péssimo resultado do IPCA de janeiro. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação oficial ficou em 1,24% em janeiro, ante 0,78% em dezembro. Em 12 meses, a inflação já acumula taxa de 7,14%.
O IBGE também informou que a produção industrial recuou em 12 dos 14 locais pesquisados em dezembro ante novembro, num sinal de que, além da inflação alta, a atividade no País fraqueja. Como pano de fundo, cresce a percepção de que o governo vai ter dificuldades de entregar a meta de 1,2% de superávit primário neste ano, prometida por Joaquim Levy no início de sua gestão.
Dólar
O avanço do dólar no exterior, após o relatório de emprego (payroll) nos EUA mostrar números fortes de geração de vagas, deu força à moeda americana ante o real nesta sexta-feira. O movimento foi sustentado ainda pela nomeação da nova diretoria da Petrobras. O dólar à vista de balcão encerrou em alta de 1,09%, aos R$ 2,7720..
Taxas de juros
As taxas dos contratos futuros de juros tiveram uma série de motivos para avançar. Além do estresse trazido pelo processo de renovação da diretoria da Petrobras, a aversão ao risco foi justificada pelo IPCA pressionado de janeiro e pela mudança na diretoria do Banco Central, anunciada ontem. Ao término da negociação regular da BM&FBovespa, o DI com vencimento em abril de 2015 tinha taxa de 12,326%, de 12,314% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2016 apontava 12,84%, de 12,83% de ontem.
Bendine na Petrobras desagrada e Ibovespa cede 0,90%; dólar e juros avançam
Parte do mercado acredita que novo presidente não tem autonomia suficiente para resgatar a companhia