Economia

"Boa química" entre presidentes vai ajudar no tarifaço, diz Alckmin

Vice-presidente insiste no caminho da negociação com os EUA

Otimismo de Alckmin decorre do rápido encontro entre os dois líderes durante a Assembleia Geral da ONU
Otimismo de Alckmin decorre do rápido encontro entre os dois líderes durante a Assembleia Geral da ONU Foto : Tomaz Silva / Agência Brasil

O presidente em exercício do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (24) que a "boa química" entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será crucial para resolver o "tarifaço" imposto pelos EUA. As tarifas americanas chegam a 50% sobre as vendas de produtos brasileiros. Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fez a declaração durante um evento sobre mercado de capitais promovido pelo BNDES no Rio de Janeiro.

O otimismo de Alckmin decorre do rápido encontro entre os dois líderes durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (23). Na ocasião, Trump descreveu Lula como um "homem muito agradável" e mencionou uma "química excelente". Segundo o Palácio do Planalto, Trump propôs um encontro bilateral para a próxima semana, que foi prontamente aceito por Lula, embora os detalhes de formato e data ainda não estejam definidos.

Injustiça das tarifas e espaço para diálogo

Enquanto insiste na via da negociação, Alckmin reforçou a posição do governo brasileiro de que o aumento tarifário, iniciado em 6 de agosto, é injusto. Ele destacou que a tarifa média de importação brasileira para os EUA é baixa (2,7%), e oito dos dez produtos mais exportados pelos americanos ao Brasil têm tarifa zero.

Questionado se a redução da tarifa aplicada ao etanol americano poderia entrar nas negociações, Alckmin sinalizou que "sempre tem espaço para o diálogo em questões tarifárias, não tarifárias e muita oportunidade de investimentos".

Protecionismo e impacto no comércio

O governo Trump tem justificado o aumento tarifário com alegações protecionistas, embora os números oficiais de ambos os países desmintam a afirmação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. O Brasil, ao lado da Índia, é o país mais atingido. Trump também usou como justificativa para as tarifas o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele considera ser um perseguido político após ser condenado pelo STF por tentativa de golpe.

Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta que o tarifaço de 50% incide sobre cerca de 35,9% das exportações brasileiras para o país. As exportações dos produtos afetados pelo tarifaço caíram 22,4% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2024.

Veja Também

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio