Economia

Bolsa brasileira aciona circuit breaker; confira histórico de acionamentos do mecanismo

Mecanismo que suspende negociações em momentos de instabilidade nos mercados foi ativado 24 vezes desde 1997

Mecanismo que suspende negociações em momentos de instabilidade nos mercados foi ativado 24 vezes desde 1997
Mecanismo que suspende negociações em momentos de instabilidade nos mercados foi ativado 24 vezes desde 1997 Foto : Cris Faga / Dragonfly Press / AE / CP Memória

A Bolsa brasileira já registrou 24 episódios de circuit breaker desde 1997. O mecanismo, que suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento anterior, é reservado a momentos de extrema turbulência no mercado financeiro. Nesta segunda-feira, o dispositivo foi acionado depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o quarto mandato.

Esta foi a primeira vez que uma eleição presidencial causou o acionamento do mecanismo na história da B3. Até então, a última interrupção havia ocorrido em março de 2020, durante a crise financeira desencadeada pela pandemia de covid-19.

Lula conquistou a vitória com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), cujo partido elegeu 19 senadores no primeiro turno do pleito deste ano. O resultado da eleição presidencial contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam apostado em uma vitória da oposição e passaram a desfazer posições montadas nas semanas anteriores à votação.

O que é circuit breaker?

O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. Ele tem como referência a variação do Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro de ações.

Segundo a B3, a suspensão desta segunda-feira atingiu a negociação de ativos à vista, de títulos de renda fixa privada e de opções referenciadas em ações, BDRs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs.

As negociações são suspensas por 30 minutos quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Após a retomada das negociações, se o índice atingir queda de 15% em relação ao fechamento anterior, os negócios são suspensos novamente, desta vez por uma hora.

Se, após essa pausa, a queda chegar a 20%, a B3 pode determinar uma nova interrupção por período definido pela própria instituição. O mecanismo considera a oscilação registrada durante a sessão, independentemente de qual seja o resultado ao final do dia.

O Ibovespa chegou a despencar 10,47% nesta segunda, o suficiente para acionar o circuit breaker, mas recuperou parte das perdas e encerrou o pregão com queda de 8,8%.

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Quando o circuit breaker foi acionado no Brasil?

A primeira vez que a B3 acionou o circuit breaker foi em 1997, durante a crise financeira na Ásia. Veja a seguir os diferentes momentos nos quais o mecanismo foi utilizado:

  • 1997: Crise asiática – A turbulência iniciada em economias do Sudeste Asiático se espalhou pelos mercados internacionais e atingiu o Brasil. A Bolsa acionou o circuit breaker três vezes, em 28 de outubro, 7 de novembro e 17 de novembro.
  • 1998: Crise russa – O colapso financeiro da Rússia provocou uma nova onda de aversão ao risco nos mercados emergentes. O mecanismo foi acionado cinco vezes ao longo do ano.

  • 1999: Crise cambial brasileira – A mudança do regime cambial, que levou à adoção do câmbio flutuante, provocou forte instabilidade no mercado doméstico. Houve duas interrupções, em 13 e 14 de janeiro.

  • 2008: Crise financeira global – A crise originada no mercado imobiliário americano, agravada pela quebra do Lehman Brothers, atingiu bolsas ao redor do mundo. No Brasil, o circuit breaker foi acionado seis vezes entre setembro e outubro.

  • 2017: Joesley Day – A divulgação de uma gravação envolvendo Joesley Batista e Michel Temer abalou o governo e provocou uma queda de mais de 10% do Ibovespa durante o pregão de 18 de maio.

  • 2020: Pandemia de covid-19 – A combinação entre a disseminação do coronavírus, a queda dos preços internacionais do petróleo e as restrições à atividade econômica provocou seis acionamentos em apenas oito pregões de março. Dois ocorreram no mesmo dia, em 12 de março.

  • 2022: Reeleição de Lula – Em 26 de outubro, a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro desencadeou uma forte liquidação de ativos brasileiros. A B3 interrompeu o pregão por 30 minutos, no primeiro acionamento do mecanismo desde a pandemia e no primeiro episódio associado diretamente ao resultado de uma eleição presidencial.

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