Bolsa fecha abaixo dos 117 mil pontos e dólar tem leve alta
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Bolsa fecha abaixo dos 117 mil pontos e dólar tem leve alta

O dia foi marcado por volume fraco de negócios e a moeda americana fechou em leve alta, a R$ 4,06

Por
AE

No terceiro pregão do ano, Ibovespa fechou em baixa, a 116.877,92 pontos

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No terceiro pregão do ano, o Ibovespa fechou em baixa, cedendo a linha dos 117 mil pontos, após ter permanecido boa parte da sessão, especialmente à tarde, não tão distante de máximas históricas renovadas logo na primeira sessão de 2020, na sequência do rali de dezembro. Assim, o principal índice da B3 encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,70%, a 116.877,92 pontos, tendo oscilado entre mínima de 116.268,69 e máxima de 117.706,66 pontos, ambas pela manhã. O giro financeiro foi elevado, totalizando R$ 27,4 bilhões na sessão.

Em dia de alta moderada para o Brent (+0,45%) e o WTI (+0,35%), as ações da Petrobras se mantiveram entre os destaques da sessão, com a preferencial em alta de 1,18% e a ordinária de 3,25% no fechamento. "Sabemos que o preço do combustível impacta inflação e o preço do frete", disse nesta tarde o presidente Jair Bolsonaro, logo após participar do início de reunião no Ministério de Minas e Energia sobre a questão.

Em Nova York, os três índices neutralizaram as perdas observadas mais cedo e fecharam o dia em terreno positivo, na ausência de notícias que apontassem um recrudescimento da tensão EUA-Irã. Com a contribuição de Wall Street, o Ibovespa chegou a moderar as perdas à tarde, mas voltou a aprofundá-las nas duas horas finais do pregão, cedendo, como mais cedo, a linha dos 117 mil pontos. "Esse movimento foi local, pelo que observamos, com o ajuste no real isolado de outras moedas no dia, levando a Bolsa junto, para baixo. Como ambos avançaram muito nos últimos 15 dias, uma realização é até bem-vinda, tendo em vista as incertezas", diz o integrante de uma mesa de operações.

"O Irã dará alguma resposta; certamente a morte do general Qassim Suleimani, um importante líder militar, não passará em branco. Acho que não haverá guerra, mas uma reação menor, como algum bloqueio aos navios petroleiros", diz Victor Beyruti, economista-chefe da Guide Investimentos, acrescentando que a cautela deve prevalecer por algum tempo. "Não tende a ser algo tão pontual e passageiro, pela gravidade do que aconteceu."

"Se a Rússia e a China aliados do Irã mostrarem contenção nos próximos dias, e é o que se espera que aconteça, o mercado tende a esquecer um pouco esse problema. Até lá, a aversão a risco continuará a dar o tom", diz um operador. No primeiro pregão do ano, no dia 2, em meio à incerteza sobre o Oriente Médio, os investidores estrangeiros sacaram R$ 409,224 milhões da B3.

Apesar da falta de clareza que tende a prevalecer no curto prazo, o cenário-base para 2020 permanece favorável, com políticas monetárias acomodatícias nas maiores economias, como EUA, China e zona do euro. A indicação da assinatura, no próximo dia 15, da fase 1 do acordo comercial entre EUA e China contribui para aliviar parte da incerteza sobre a disputa entre as duas maiores economias do globo. "Depois da assinatura, o mercado deve ficar mais exigente, especialmente quanto ao grau de implementação efetiva de certos aspectos do acordo, como o volume de compras, pela China, de produtos agrícolas americanos", observa Beyruti.

Por aqui, esta semana reserva leituras sobre a produção industrial e o IPCA que podem corroborar a percepção de que a retomada mais firme observada no terceiro trimestre tenha se estendido aos últimos três meses de 2019, com efeitos positivos para o ano em curso, acrescenta o economista-chefe da Guide Investimentos.

Dólar

O dólar acabou fechando a segunda-feira em alta, após operar a maior parte dos negócios perto da estabilidade. A moeda brasileira foi na contramão de outros emergentes e operadores ressaltam que um fluxo pontual de compra pressionou o câmbio no final da tarde. Como o dia foi marcado por volume fraco de negócios, o movimento acabou por fazer a divisa acelerar a valorização, batendo nas máximas do dia. O dólar à vista fechou em alta de 0,18%, a R$ 4,0629. No mercado futuro, a moeda americana subiu 0,11%, no contrato para fevereiro, a R$ 4,0680.

O clima de cautela persistiu durante toda a sessão de hoje no câmbio, com as mesas de operação aguardando desdobramentos dos eventos no Oriente Médio. O dia, porém, não teve maiores novidades e a própria ausência de notícias sobre uma eventual retaliação do Irã foi vista como positiva pelos investidores.

O chefe global da mesa de moedas do banco Société Générale, Kit Juckes, destaca que os investidores passaram o dia colados em seus terminais monitorando os riscos geopolíticos, na expectativa por notícias do Oriente Médio. Se não houver escalada da tensão ou fatos novos, ele não acredita que o "estado de alerta" vai ser mantido por muitos dias. "Os mercados querem ver quais os próximos eventos."

Até agora, divisas como o iene, o franco suíço e o dólar foram as ganhadoras no ambiente de busca por portos seguros, observa Juckes. Já bolsas e moedas de emergentes sofreram, mas hoje a divulgação dos índices dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) com números bons nos Estados Unidos e Europa acabou ajudando a melhorar o humor dos investidores. Mais cedo, os PMIs ajudaram a fortalecer as moedas europeias, contribuindo para manter o índice DXY (que mede o dólar ante uma cesta de divisas fortes) em queda.

No mercado doméstico, investidores também esperam eventos dos próximos dias. Para o câmbio, traders falam que o leilão na quarta-feira (8) da concessão rodoviária mais longa já feita no País, o lote Piracicaba-Panorama (chamado PiPa), em São Paulo, pode atrair recursos externos, dando alívio para o real. A pipa tem 1.273 quilômetros e previsão de investimentos da ordem de R$ 14 bilhões.

Nos indicadores, um dos números mais aguardados é o relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos, com números de dezembro. O Deutsche Bank espera criação de 135 mil postos de trabalho e os economistas do banco alemão ressaltam que o documento pode dar pistas sobre se o Federal Reserve tende ou não a cortar juros este ano.

Juros

A expectativa em torno do conflito entre os Estados Unidos e o Irã e possíveis impactos nos preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis internamente, continuou limitando o apetite nos negócios no mercado de juros, sustentando inclinação da curva a termo e inibindo a liquidez. As taxas de curto prazo fecharam de lado, enquanto as demais tiveram avanço moderado na etapa regular e mais firme na sessão estendida.

Como o Irã prometeu retaliação a Washington após o assassinato do general iraniano Qassim Suleimani por forças americanas, o temor sobre quais as ações a serem tomadas e efeitos sobre os preços das commodities mantém os mercados na defensiva, mas, entre os ativos, o nível de estresse é visto como bastante controlado. "Ninguém acredita que o Irã será irresponsável de fazer algo contra os EUA. Não há a percepção de agravamento da situação", disse o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

Jefferson Lima, gerente da mesa de juros da CM Capital Markets, afirmou que a tensão no segmento de petróleo pode pressionar os preços internos, o que amplia as dúvidas sobre a política monetária nos próximos meses. "Enquanto isso, o mercado fica no compasso de espera", comentou.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 4,525% (regular) e 4,53% (estendida), de 4,515% na sexta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,782% para 5,82% (regular) e 5,84% (estendida). O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,46% (regular) e 6,49% (estendida), de 6,422%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 6,79% (regular) e 6,82% (estendida), de 6,751%.

Nesta tarde, o governo se reuniu no Ministério das Minas e Energia (MME), com a participação do ministro Bento Albuquerque e representantes da Petrobrás e Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mas, aparentemente, ao fim do encontro, não houve uma definição quanto a um reajuste ou não de preços em função dos eventos no Oriente Médio. O presidente Jair Bolsonaro fez uma rápida passagem pelo encontro e disse a jornalistas, na saída, que expôs os seus pontos de vista. Ele reconheceu ainda que o preço do combustível impacta a inflação e o frete.

Já o ministro afirmou que no encontro foram discutidas políticas que governo deve ter para enfrentar eventos e crises. "Trabalhamos há meses em instrumento que não seja afetado por alta de petróleo", disse. Como os preços já vêm subindo em função do câmbio, há temor entre alguns participantes do mercado de que o governo possa segurar os repasses da alta do petróleo, o que seria visto como ingerência política e negativo para a imagem e o caixa da Petrobrás. Porém, Perfeito pondera que não é esperado um aumento automático da gasolina, o que não significa que haja uma mudança na política de preços da estatal. "Se for uma alta, não será tão forte. Há uma folga em relação à passagem de preços", disse.