As ações recuperaram algumas perdas, após dados dos Estados Unidos mostrarem que o índice do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) de atividade industrial dos EUA subiu para 51,6 em setembro, de 50,6 em agosto, acima da previsão dos economistas de 50,4. O temor ante a Grécia, porém, dominou o sentimento dos mercados.
No domingo, o rascunho de orçamento para 2012 foi aprovado pelo gabinete grego. O documento mostrou um déficit de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2011, pior que a meta de déficit de 7,6%. O déficit, como previsto, também não deve estar na meta em 2012 - a previsão é de 6,8%, ante meta de 6,5%.
Por toda a Europa, os bancos estavam sob pressão, com BNP Paribas recuando 4,6% e Société Générale perdendo 5,2% em Paris. Além disso, as ações do Commerzbank caíram 7,3%, e ING cedeu 5,2%.
Reunião discute reformas
Os ministros das Finanças europeus reuniram-se em Luxemburgo nesta segunda-feira para discutir as reformas da Grécia. Porém a decisão sobre a próxima parcela de ajuda, vital para Atenas evitar um default em breve, foi adiada para em torno de meados de outubro.
Em Atenas, o índice ASE caiu 2,40%, fechando em 779,29 pontos, com as ações do Alpha Bank caindo 8,3%, o Piraeus Bank recuando 6,4% e o Banco Nacional da Grécia perdendo 7,3%. As ações do Dexia desabaram mais de 10%, após a Moody's colocar o rating do banco em revisão, por temores de que o banco tenha problemas para obter financiamento no mercado.
Relatos da imprensa afirmam que funcionários franceses e belgas devem se reunir para discutir um pacote de ajuda para o Dexia, que tem grande exposição à dívida grega. Um representante do banco não estava disponível para comentar o tema.
O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, caiu 2,28%, para 5.376,70 pontos, com as companhias do setor automotivo recuando bastante - BMW caiu 5,7% e Volkswagen recuou 4,8% -, por causa dos prolongados temores de que a economia da China possa desacelerar.
Na Bolsa de Paris, o CAC 40 recuou 1,85%, para 2.926,83 pontos. O setor automotivo teve perdas, com Renault (-2,9%) e Peugeot (-2,1%). Uma das maiores perdas em Paris foi da Alcatel-Lucent, do setor de equipamentos de telecomunicação, que perdeu 12% após a corretora Nomura cortar sua perspectiva para o setor de neutra para tendência de baixa.
A Nomura também reduziu suas estimativas de ganho por ação e preço-alvo para a Alcatel-Lucent e a L.M. Ericsson, dizendo que vê mais perspectiva de queda na Alcatel-Lucent. As ações da Ericsson caíram 3,8% em Estocolmo.
O índice FTSE 100, do Reino Unido, caiu 1,03%, para 5.075,50 pontos. Entre as mineradoras, Vedanta caiu 8,3%, enquanto Xstrata (-3,64%) e Rio Tinto (-2,4%) também tiveram perdas. Já a Randgold subiu 3,7% e a Fresnillo avançou 1,1%, beneficiadas pelas cotações mais altas do ouro e da prata.
Enquanto isso, os temores sobre o crescimento econômico da China pesaram no setor de produtos de luxo, ampliando as perdas da semana passada. As ações do Burberry Group caíram 7%. Após o pior trimestre em três anos na Europa, o apetite do investidor por ações na região segue sendo dolorosamente testado.
Cofundador da Seven Investment Management, Justin Urquhart Stewart disse que os investidores devem evitar as ações de banco e do setor de consumo, porém ele notou que os preços das ações de todas as companhias vão seguir refletindo esses problemas. Companhias como Siemens, Nestlé, Unilever e Royal Dutch Shell seguirão "fazendo seus negócios como sempre, levantando capital", disse. "Os investidores devem encontrar conforto no fato de que a maioria dos retornos de longo prazo vem da combinação de dividendos, não dos preços espetaculares das ações", apontou ele.
Em Madri, o índice Ibex 35 caiu 2,26%, para fechar em 8.353,80 pontos. As ações da OHL, do setor de construção, recuaram 3,9%, e os bancos BBVA e Caixabank perderam 3,6% cada, enquanto Santander cedeu 3,5%. Em Portugal, o índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa recuou 2,60%, para 5.737,78 pontos. As informações são da Dow Jones.