Economia

Boulos diz que governo abrirá processo administrativo sancionador contra iFood e Keeta

Ministro da Secretaria Geral anuncia processo por descumprimento de portaria sobre transparência de valores de aplicativos de entrega

Boulos diz que governo abrirá processo administrativo sancionador contra iFood e Keeta
Boulos diz que governo abrirá processo administrativo sancionador contra iFood e Keeta Foto : Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil / CP

O ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, disse nesta quarta-feira que o governo abrirá um processo contra o iFood e a Keeta por supostamente descumprirem uma portaria do governo federal que obriga as empresas de entrega e transporte por aplicativo a dar transparência aos usuários sobre o valor pago aos motoristas e o que é retido pelas plataformas.

Boulos afirmou que outras grandes empresas, como Uber e 99, estão cumprindo a portaria regularmente e informando quanto do valor pago pelos consumidores é repassado aos motoristas e quanto é retido pelas empresas.

"Segundo o levantamento e os relatórios da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública), a Uber tem cumprido e a 99 tem cumprido a transparência prevista na portaria. No entanto, o iFood e a Keeta seguem descumprindo sumariamente a portaria", afirmou.

"Viemos aqui hoje anunciar a instauração de um processo administrativo sancionador contra essas duas empresas, que pode levar à aplicação de multa que, no valor máximo, chega a R$ 14 milhões. Então, essas empresas têm que oferecer transparência", disse o ministro.

Boulos relatou que os motoboys têm apresentado queixas ao governo quanto ao suposto desrespeito dessa portaria por parte das duas plataformas. O ministro disse ter recebido "muitas notícias" de que essa norma estaria sendo desrespeitada, o que motivou a ação por parte do governo.

O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, disse que outras nove empresas estão sendo monitoradas para se avaliar possível falta de transparência sobre os valores recebidos. Entre elas, estão a Uber e a 99, que atendem às exigências da portaria da Senacon. Morishita afirmou que as empresas têm 20 dias para se adequar às regras de transparência. Se isso não acontecer, estarão sujeitas a sanções.

Pronunciamento da Keeta

Em nota à reportagem, a Keeta afirmou que tem atuado dentro da legislação brasileira e com transparência em relação a seus clientes.

Confira a nota completa:

“A Keeta é uma plataforma de intermediação, que utiliza tecnologia para conectar três pontas - restaurantes, consumidores e entregadores parceiros -, sempre buscando atuar em conformidade com a legislação, incluindo normas relacionadas a transparência com consumidores e acesso à informação.

No processo de utilização da plataforma e no recibo disponibilizado ao consumidor em cada pedido, consta o valor total por ele pago e a indicação da parcela desse valor destinada à plataforma, à entrega, incluindo gorjetas, e ao estabelecimento comercial. Reforçamos nosso compromisso com a transparência, a responsabilidade e o diálogo aberto com as autoridades, os parceiros e a sociedade".

O Estadão entrou em contato com a assessoria do Ifood e aguarda reposta.

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