Economia

Bovespa despenca com temores sobre Europa e expansão global

Bolsas europeias também fecharam em forte queda

Diante da piora do pessimismo em diversas economias, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despenca nesta quinta-feira. Com pouco mais de dez minutos de pregão, a Bolsa rompeu dois patamares de pontos. Às 13h05, a queda era de 5,35%, a 53.021 pontos. Na mínima, atingiu 52.629 pontos, queda de 6,05%. A baixa repete o movimento de ontem, quando a Bolsa teve recuo de 2,26%, o maior em quase seis meses. Dentro do Ibovespa, as maiores baixas hoje são MMX (-13,46%), LLX (-12,25%) e Duratex (-9,81%). Enquanto isso, no Brasil o dólar de balcão opera em alta de 1,15%, a R$ 1,580.

Na Europa, as bolsas fecharam em forte queda. Frankfurt recuou 3,40%, Paris cedeu 3,90% e Londres teve desvalorização de 3,43%.

Nesta quinta, o Banco Central Europeu (BCE) reativou duas de suas mais potentes medidas anticrise em uma tentativa de impedir que a crise de dívida atinja a Itália e a Espanha. Em entrevista após a decisão do BCE de manter as taxas de juros, Trichet anunciou que a instituição vai oferecer um leilão de seis meses de tamanho ilimitado na próxima semana. Ao mesmo tempo, segundo operadores, o BCE reabriu seu programa de compra de bônus de governos pela primeira vez em cinco meses. Trichet não confirmou essa informação, mas disse que o programa nunca esteve inativo.

As medidas foram tomadas enquanto a crise de dívida ameaça se espalhar de economias menores e mais periféricas, como Grécia e Irlanda, para países bem mais importantes economicamente, como Itália e Espanha.

As preocupações com a perspectiva para o crescimento da economia global desencadeou uma acentuada onda de vendas dos ativos de maior risco. "Os mercados estão cada vez mais se tornando precificados para uma recessão global", disse Ron Leven, estrategista de câmbio do Morgan Stanley.

"As pessoas estão olhando para números fracos e se sentindo desconfortáveis com o rumo que o mundo está tomando." O dólar, visto como porto seguro, se favorece neste cenário, com o índice ICE Dollar, que calcula a moeda norte-americana em relação a uma cesta de moedas, subindo mais de 1,5% no dia.

Hoje, mais dois países anunciaram que começarão a intervir no câmbio para conter a alta de suas moedas. O Japão ampliou a venda de ienes no mercado. Operadores acreditam que no total as vendas somem até 1 trilhão de ienes. Além disso, aumentou seu fundo especial para compra de ativos e operações de oferta de liquidez de 10 trilhões de ienes (US$ 125,913 bilhões) para 15 trilhões (US$ 188,8 bilhões). Na Turquia, o Banco Central cortou o juro básico e disse que vai começar a vender dólares para tentar proteger a lira.

Mais cedo, as bolsas na Ásia já demonstravam pessimismo. A maioria fechou em queda. Hong Kong teve o terceiro dia de queda, encerrando o pregão em baixa de 0,5%. Movimento parecido ocorreu em Cingapura, que caiu 0,74% pelo terceiro dia. A Bolsa de Sydney, na Austrália, atingiu a maior queda em mais de um ano (-1,3%).

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