Economia

Bovespa opera em queda em mais um dia nervoso no mercado

Índices de Wall Street também têm perdas com ameaça de recessão

Wall Street tem mais um dia nervoso nesta sexta
Wall Street tem mais um dia nervoso nesta sexta Foto : Spencer Platt / Getty Images / AFP / CP
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em queda, com a aversão ao risco ainda ditando o tom nos mercados globais pela manhã. Mais cedo, as bolsas asiáticas fecharam em forte queda, e os principais índices de ações da Europa e os futuros em Nova York operavam em queda. Às 10h06, o índice Bovespa (Ibovespa) caía 0,99%, para 52.608 pontos.

Ontem, quando os mercados de ações já estavam fechados no Brasil e na Europa, o Federal Reserve Bank de Nova York informou que o Banco Nacional da Suíça (SNB) recorreu à linha de swap (troca) de liquidez estabelecida pelo Fed, tomando US$ 200 milhões por sete dias à taxa de 1,08%. Esta é a primeira vez desde o começo de março que um dos bancos centrais com os quais o Fed mantém acordos de swap de liquidez recorre a essa linha, sendo que a quantia envolvida é a maior desde outubro de 2008.

A operação ocorreu um dia após o Banco Central Europeu (BCE) informar que um banco não identificado tomou US$ 500 milhões de sua linha de crédito emergencial para sete dias, à taxa de 1,1%. A notícia acirrou os ânimos na Europa, onde os bancos já vêm sofrendo pesadas perdas na bolsa nos últimos dias.

No Brasil, o único indicador previsto na agenda já foi divulgado - o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de agosto, que apontou inflação de 0,27%, ante alta de 0,10% em julho -, o que deixa a Bolsa no restante do dia à mercê das notícias no exterior.

A pressão sobre as ações brasileiras, no entanto, deve ser menor. "Hoje é uma continuidade de ontem, mas com uma pressão menor sobre as ações. Já há papéis no Brasil com preços convidativos, mas os dados lá fora são ruins", pondera Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW.

Segundo ele, os preços das ações em baixa já minimizam o tombo no Ibovespa, mas um encerramento no território positivo ainda não está no cenário. "Difícil ter algum ganho hoje, mas em algum momento isso vai acontecer, porque estes preços já estão muito atrativos", afirma. "Pode ocorrer descolamento (das perdas na Europa), mas não acredito que seja hoje."

Wall Street abre em queda com ameaça de recessão

O nervosismo permanece na manhã de hoje e manteve a pressão para uma abertura em baixa das Bolsas de Nova York. Às 10h33 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,79%; o Nasdaq tinha queda de 0,72%; e o S&P-500 perdia 0,75%. A ameaça de recessão nos EUA e na Europa faz o ouro seguir sua escalada, agora rumo ao US$ 1.900 a onça-troy. A commodity ganhou mais de US$ 100,00 esta semana.

Depois do Morgan Stanley, agora é a vez do JPMorgan reduzir sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre deste ano, de 2,5% para 1,0%, e a previsão para o primeiro trimestre de 2012, de 1,5% para 0,5%.

Esta semana, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que o país não está em perigo de voltar à recessão, deixando a sensação de "já vi esse filme antes". Assim como o vice-presidente da China, Xi Jinping, que disse hoje que a economia chinesa não vai sofrer uma desaceleração repentina e que a economia dos EUA também é resistente.

Os indicadores deixam claro que a economia dos Estados Unidos está voltando a ficar anêmica, como mostrou ontem o índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia, que recuou para -30,7 em agosto, de 3,2 em julho. Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu 9 mil, para 408 mil, na semana passada.

Fed de Nova York reitera perspectiva fraca para EUA

Choques externos minaram o crescimento econômico dos EUA na primeira parte deste ano, o que provavelmente vai quebrar o ritmo do crescimento no restante de 2011, afirmou William Dudley, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, em discurso preparado para um evento na Câmara de Comércio de Meadowland.

No pronunciamento, quase idêntico ao feito ontem em um evento em Newark, Dudley reiterou sua opinião de que a economia norte-americana vai se acelerar nos últimos meses do ano. No entanto, a persistente fraqueza no mercado de trabalho, o setor imobiliário deprimido e os mercados globais voláteis fizeram com que ele reduzisse suas expectativas econômicas.

O terremoto seguido de tsunami no Japão em março e o aumento dos preços dos alimentos e da energia colocaram um freio no crescimento no primeiro semestre, mas essas pressões estão diminuindo, afirmou Dudley. "É claro que nem toda a fraqueza foi resultado desses eventos extraordinários, por isso, revisei para baixo minhas expectativas para o ritmo da recuperação futuro", disse.

Dudley é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed. As informações são da Dow Jones.

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