Para os especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a insegurança quanto aos rumos da economia mundial deixou a Bovespa instável. Sem sinais claros sobre uma recuperação ou agravamento da crise, o Ibovespa não manteve uma tendência e favoreceu aos especuladores.
“A falta de tendência na bolsa ocorre devido à falta de tendência na economia”, explicou Marcelo Cambria, professor de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). “O movimento de sobe e desce é causado por investidores que aplicam em uma ação e vendem no mesmo dia ou no dia seguinte.”
O professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Ordem dos Economista do Brasil (OEB), Manuel Enriquez Garcia, acredita que a Bolsa de Valores de São Paulo vá passar por mais dias instáveis até que a crise mundial dê uma trégua. Ele disse ainda que isso não deve ocorrer brevemente. “Esta crise ainda nem começou. Ela ainda deve durar muito tempo”, declarou Garcia. “A situação na Europa é grave e ainda não sabemos o que pode vir pela frente.”
Wall Street e bolsas europeias fecham em queda
A Bolsa de Nova Iorque caiu nesta quarta-feira pela terceira vez em cinco pregões, apagando sua recuperação da véspera, arrastada pela queda das ações do setor bancário e temores em relação à economia: o Dow Jones perdeu 4,68% e o Nasdaq, 4,12%.
As principais bolsas europeias encerram o dia em forte baixa, influenciadas pelo tombo das ações de bancos e pelos rumores de que a França poderia ser o próximo país a ter sua nota de dívida rebaixada. A Bolsa de Paris caiu 5,5%, Frankfurt recuou 5,13%, Londres perdeu 3,05% e Milão despencou 6,65% nesta quarta-feira. O mercado de ações francês foi impactado pelo desempenho do banco Société Générale, que recuou 14,9%. Em Madri, o recuo de 5,5% também refletiu o tombo do setor bancário – o Santander caiu 8,3%.
Dólar sobe 0,50%
Depois de oscilar entre a taxa mínima de R$ 1,599 e a máxima de R$ 1,63, o dólar comercial fechou hoje em alta de 0,50%, cotado a R$ 1,617 no mercado interbancário de câmbio. No mês, acumula alta de 4,12% e desde o começo do ano, baixa de 2,82%. O dólar à vista negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) recuou 0,64% hoje para R$ 1,6146, porque sofre ajustes em relação à cotação de fechamento de ontem. O euro comercial caiu 0,26% hoje para R$ 2,295.
O mercado doméstico de câmbio operou colado hoje ao vaivém da cotação do dólar no exterior. Rumores sobre eventual corte da nota de crédito (rating AAA) da França deixaram os mercados tensos. No mercado futuro de dólar, as preocupações dos agentes financeiros com a fragilidade econômica e política dos EUA e a crise de dívidas da Europa também foram convertidas em compras, que sustentaram o dólar negociado para setembro em alta o dia todo e acima de R$ 1,60.
Pelo terceiro dia seguido, o Banco Central fez apenas um leilão de compra de dólar no mercado à vista perto do fechamento dos negócios, após as 16 horas. A taxa de corte das propostas do leilão de hoje foi de R$ 1,6165.
No começo da tarde, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s reiterou que mantém a nota de crédito da França em AAA, com perspectiva estável. Além disso, a S&P informou que o rebaixamento na nota dos EUA não deve afetar os ratings municipais e estaduais e disse que não prevê ação imediata sobre ratings dos bancos do país. Mesmo assim, os investidores parecem não ter se convencido e o clima de aversão ao risco não se dissipou.
Câmbio turismo
Nas operações de câmbio turismo, o dólar teve alta de 0,41% nesta quarta-feira, cotado a R$ 1,717 na venda e R$ 1,603 na compra. O euro turismo ficou estável a R$ 2,423 na venda e R$ 2,297 na compra.