Economia

Brasil deve ter maior responsabilidade fiscal, afirma ex-governador Germano Rigotto

Debate sobre reforma tributária e situação do Brasil entre guerra comercial China-EUA também foram debatidas no Tá na Mesa, da Federasul, com o tema "Brasil, um país que não quer encontrar seu destino"

Além de Rigotto, também esteve presente na coletiva o diretor de Relações institucionais da Randoncorp, Joarez José Piccinni, e o vice-presidente jurídico da Federasul, Milton Terra
Além de Rigotto, também esteve presente na coletiva o diretor de Relações institucionais da Randoncorp, Joarez José Piccinni, e o vice-presidente jurídico da Federasul, Milton Terra Foto : Pedro Piegas

Germano Rigotto, ex-governador e atual presidente do Instituto Reformar de Estudos Políticos e Tributários, disse que o Custo Brasil, com despesas que elevam os custos de produção e compromete a competitividade das empresas, envolvem, hoje, a situação da carga tributária, dos juros e a política monetária, e que são questões que afastam investimentos dentro do país. Para resolver o problema, ele defende haver mais responsabilidade fiscal.

Com o tema "Brasil, um país que não quer encontrar seu destino", a fala foi dita em coletiva de imprensa antes do evento Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) nesta quarta-feira, em Porto Alegre.

Ele declara que não há ações efetivas no Congresso para reduzir despesas, e defende a necessidade de haver mais cuidados com os gastos. "Tu tens uma situação de um governo que resiste a a questão de corte de despesa. De outro lado, um congresso que não ajuda nessa direção, de maneira nenhuma", diz.

Também esteve presente na coletiva o diretor de Relações institucionais da Randoncorp e presidente do Conselho do Banco Rondon, Joarez José Piccinni, e o vice-presidente jurídico da Federasul e doutor em Direito Tributário, Milton Terra.

Juarez afirmou que o Custo Brasil esta caminhando para os R$ 2 trilhões de reais. Para ele, é necessário ganhar competitividade. Também defende que existem uma série de reformas que deveriam vir antes da tributária, como a administrativa e a política. "Na hora em que a gente está em uma reforma tributária e que as reflexões estão sendo adotadas, muitos investimentos estão aguardando para saber qual era o efetivo efeito das tributações. Então, nós estamos num processo contínuo de reforma. A gente precisa acelerar e tornar mais objetivas", diz.

Rigotto defende que reforma tributária deve ser simplificada e racionalizada. "A simplificação tem que significar menos evasão fiscal, menos sonegação, menos informalidade", afirma. Para o ex-governador, o projeto que tramita no Congresso tem vantagens em relação ao sistema atual, mas defende haver correções em alguns pontos. "Esse projeto não é o que eu gostaria, mas ele traz avanços enormes com relação à taxa tributária", complementa.

Milton Terra afirmou que é necessário haver reforma administrativa que diminua pressão do gasto. Para ele, o problema na reforma tributária tem relação com o risco dos textos. "Nós temos a reforma tributária que foi apresentada, que tinha os os ideais todos eh ah, combinados com a sociedade, nós temos o texto, o mundo real que foi aprovado", diz. Ele afirma que, com a pressão por gastos e o aumento de tributos, há questões que vão preciar ser corrigidas no texto da reforma para que os tributos não aumentem mais do que deveriam.

Brasil deve se beneficiar com guerra comercial entre China e EUA, afirma Joarez

A situação das tarifas de importação de Trump, que recentemente assinou decreto que dobra as tarifas dos EUA sobre aço e alumínio para 50%, e guerra comercial entre China e EUA foram outros temas debatidos na coletiva. Joarez afirmou que devem ser antecipados investimentos nos Estados Unidos. "Diante do que se apresenta, a gente começa a olhar planos de investimentos que a gente ia fazer nos Estados Unidos ou nos treinos mais longo, talvez a gente antecipe na medida que isso fizer sentido", diz. Ele lembra que o Brasil é consumidor de aço. "Se o preço do aço do Brasil ficar melhor, a gente vai conseguir produzir e repassar os clientes nossos um produto com preços mais competitivos, sem encarecer".

Em relação às medidas tomadas pelo presidente Trump, Rigotto defende que muito do que o presidente anunciou, também recuou, e que suas medidas estão causando resistência interna e perda de confiança de seus próprios apoiadores.

Joarez afirma que o que mais preocupa é a instabilidade de Trump, mas acredita que o Brasil deve se beneficiar com a guerra comercial entre China e EUA, aumentando a relação comercial - com China nas commodities e com EUA na condição de estabelecer acordos. "O nosso setor do agronegócio, que já tem uma relação forte com a Ásia e China, tenderá a se beneficiar. O Brasil, que tem hoje uma posição extremamente relevante, ganhará ainda mais relevância nessa relação", projeta.

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