A decisão foi tomada em reunião por telefone esta tarde, entre o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi. Os dois irão se reunir na próxima segunda e terça-feira, em Buenos Aires, para tentar avançar numa negociação que permita retirar dos dois lados as barreiras que atravancam o comércio bilateral.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, chegou a se manifestar, na terça-feira, sobre as relações entre Brasil e Argentina. Ele negou uma crise entre as nações, devido à suspensão das licenças automáticas para importação de automóveis e autopeças. Segundo ele, o diálogo com o governo argentino é frequente e constante e que "os problemas existem" quando há um elevado volume comercial envolvido.
A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, depois da China e dos Estados Unidos. O volume do comércio bilateral é de US$ 33 bilhões, segundo dados de 2010. No último dia 12, Pimentel anunciou a suspensão das licenças automáticas para a venda de automóveis e autopeças. Com isso, o processo de entrada de produtos argentinos fica mais lento e pode demorar até 60 dias para ser concluído. A restrição não é apenas para mercadorias argentinas, inclui também veículos e peças do México e da Coreia do Sul.
Caminhões parados na fronteira
Há mais de um ano, os empresários brasileiros reclamam que a Argentina cria dificuldades para o desembaraço de mercadorias brasileiras. Em meio ao impasse, caminhões brasileiros aguardam a decisão política para conseguir passar pela fronteira do Brasil com a Argentina. Dezenas de cegonheiras estão paradas em Uruguaiana. Os motoristas, principalmente os autônomos, queixam-se por estar há uma semana sem poder sai do Porto Seco Rodoviário.
Argentina critica ação do Mercosul
Com quase 3 mil automóveis barrados na fronteira com o Brasil desde a última quarta-feira, as montadoras argentinas criticavam a decisão do governo brasileiro de adotar o regime de licenciamento não automático para importação de automóveis. Em nota, a Associação de Fábricas de Automotores (Adefa) expressou "a preocupação da indústria automobilística argentina pelo conflito que dificulta o comércio automotivo bilateral com o Brasil".