Economia

Brasil e China fecham acordo para carne e fumo

País deve aumentar volume de exportação, que já chega a 200 mil toneladas de carne por ano

Brasil deverá intensificar a exportação de carne bovina termoprocessada e tabaco para o mercado chinês e ampliar o intercâmbio comercial entre os países, que, desde 2003, cresceu 780%. Nesta quinta-feira, os ministros da Agricultura, Wagner Rossi, e da Administração Geral de Supervisão da Qualidade, Inspeção e Quarentena da China (AQSIQ), Wang Young, firmaram protocolo que estabelece condições sanitárias para embarque de cortes bovinos.

“O acordo sinaliza continuidade e ampliação das atividades conjuntas. Continuamos a desenvolver as condições para que esse comércio bilateral siga crescendo”, afirmou Rossi, durante o encontro que contou com a presença dos presidentes Lula e Hu Jintao, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Para o presidente da Abiec, Roberto Gianetti da Fonseca, é importante ter acesso a um mercado que cresce aceleradamente. Os brasileiros exportam 200 mil toneladas de carne/ano para China via Hong Kong. “Agora, os embarques devem aumentar consideravelmente.”

No acordo comercial, o governo chinês exige que os bovinos destinados a exportação de carne sejam nascidos, criados e abatidos no Brasil. Também devem ser provenientes de propriedades onde, nos últimos seis meses, não tenham sido detectadas febre aftosa e outras doenças. Além disso, devem estar submetidos ao programa brasileiro de controle de resíduos.

O Ministério da Agricultura (Mapa) ficará responsável pela inspeção, quarentena e emissão de certificados sanitários. Os frigoríficos devem ter um local específico para o processamento da carne destinada à China e as embalagens, indicar em inglês e chinês o nome do produto, peso, endereço e número de registro, condições de armazenamento, data de produção e validade, com selo de quarentena.

Na ocasião, os líderes brasileiros e chineses também firmaram protocolo com normas para a exportação de tabaco pelo Rio Grande do Sul. Com validade de dois anos, o documento define requisitos fitossanitários, como manejo de risco do mofo azul e controle de insetos nas cargas. Os importadores deverão obter licenças junto à AQSIQ, e o produto passar por pré-inspeção.

Segundo o presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, a medida oficializa e organiza os processos para exportação. Em 2009, o RS embarcou 12% das mais de 390 mil toneladas que produziu para China. “Precisávamos desse acerto entre governos”, frisou.

Nesta sexta-feira, os ministros debatem a ampliação dos embarques de carne bovina “in natura” e a abertura para a carne suína in natura e devem definir a agenda de missões a frigoríficos.

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