Economia

Brasil está preparado para crise mais aguda, diz Mantega

Ministro da Fazenda afirmou que juro real ideal no País é de 2% a 3% ao ano

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda que a economia do País está sólida e que o Brasil tem condições de enfrentar bem os efeitos da crise internacional. "O Brasil está preparado para enfrentar uma crise leve ou aguda", comentou, após participar de almoço com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O ministro destacou que entre os instrumentos que o governo dispõe para proteger o País da crise estão a política monetária, a fiscal e o eventual uso de reservas cambiais. "Temos política monetária com muitos graus de liberdade," disse o ministro da Fazenda.

"Se a crise se agravar, ficar tão forte como ocorreu em 2008, e ocorrer dificuldades para a concessão de crédito nos mercados internacional ou doméstico, aí os juros poderão cair, pois neste contexto, a inflação ficará mais bem comportada. Mas isso é uma decisão que compete ao Banco Central, que decidiria quando seria o melhor momento para tal redução da taxa (Selic)", comentou. E continuou: "Tudo isso leva em consideração o comportamento da inflação. A inflação alta é ruim para toda a sociedade".

Embora tenha ressaltado que num eventual agravamento da crise o governo preferiria utilizar mais a política monetária do que a fiscal, Mantega destacou que a gestão das contas públicas será mantida com rigor até o final do mandato da presidente Dilma Rousseff. "Vamos manter conduta fiscal forte até 2014", frisou. Em outras entrevistas, o ministro já destacou que o governo terá como meta obter superávit primário cheio neste ano, em 2012, 2013 e 2014.

Juro ideal

Para Mantega, "o juro real ideal no Brasil" é equivalente ao que é registrado em outros países emergentes, ou seja, um patamar "de 2% a 3% ao ano". "Mas a queda dos juros é uma questão que não ocorre da noite para o dia. É preciso que existam condições que permitam que ela caia", ressaltou, destacando que quem determina a queda dos juros é o Banco Central, que tem autonomia para fazê-lo quando julgar que a inflação está controlada e é possível reduzir a Selic. "Juro alto é tão ruim quanto inflação alta. E a inflação é negativa para todos, sobretudo os mais pobres", destacou.

O ministro afirmou que caso a crise internacional fique tão aguda quanto em 2008 e a inflação esteja comportada, nesse contexto os juros poderiam cair, mas ressaltou que essa é uma atribuição exclusiva do Banco Central. Mantega também apontou que em um eventual recrudescimento da crise mundial que provoque novo credit crunch, o governo poderia utilizar não só a queda de juros como também liberar parte dos depósitos compulsórios de bancos comercias que estão disponíveis no Banco Central. "Caso haja necessidade de irrigar o mercado de crédito, há cerca de R$ 500 bilhões de reais de compulsórios no BC e uma parcela disso poderá ser liberada, a fim de normalizar as operações no mercado", comentou, após participar de almoço na Fiesp.

O ministro também destacou que as reservas internacionais são outra linha de defesa do País, pois poderão também ser utilizadas para dar fluxo normal ao comércio exterior, caso ocorra uma diminuição abrupta e intensa das linhas de crédito internacionais para exportadores e importadores. "Hoje temos US$ 350 bilhões de reservas cambiais, que é um patamar US$ 150 bilhões maior do que os US$ 200 bilhões que tínhamos em 2008", afirmou.


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