O governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) formalizaram o acordo para compra pelo Brasil de até US$ 10 bilhões em Notas emitidas pela instituição, para ampliar a capacidade de empréstimo para o socorro a países com problemas de balanço de pagamentos. O acordo foi assinado nesta sexta-feira, 22, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
"A compra de Notas, que será operacionalizada pelo Banco Central, envolverá a aquisição de ativos emitidos pelo FMI e imediatamente conversíveis em moedas de liquidez internacional, se necessário. As Notas serão denominadas em direitos especiais de saque (DES). Assim, a operação apenas alterará a composição das reservas internacionais do país, contribuindo para sua diversificação", disse o BC.
Ou seja, trata-se de uma modalidade alternativa de aplicação de parte das reservas internacionais brasileiras, que renderá juros que correspondem à média ponderada das taxas de curto prazo dos Estados Unidos, Zona do Euro, Japão e Reino Unido. As reservas brasileiras fecharam ontem em US$ 241,12 bilhões. Ao mesmo tempo, a operação reforça o poder de atuação do FMI para ajudar os países em dificuldade, medida acertada pelo G-20 - Grupo dos 20 países mais ricos do mundo - em 2009, que prevê o aporte da ordem de US$ 500 bilhões no Fundo pelo conjunto dos países do grupo.
Segundo o BC, a aquisição dos títulos do FMI será feita conforme a necessidade do Fundo, que é analisada trimestralmente pela instituição. O vencimento dessas Notas se dará três meses após sua emissão, "com renovação automática por períodos adicionais de três meses, salvo manifestação em contrário do Fundo, até o prazo máximo de cinco anos". A operação não muda a participação do Brasil nas cotas do FMI.
O Brasil já havia entrado para a história do FMI em 2002, quando pegou o maior empréstimo já concedido pelo fundo mundial a um país: 30,4 bilhões de dólares - dívida que terminou de ser paga em 2005, dois anos antes do prazo previsto.
Brasil fecha compra de US$ 10 bilhões em títulos do FMI
País vira credor 4 anos após pagar maior dívida de empréstimo já feito ao fundo