O motivo do aumento dos tributos é o aquecimento da economia brasileira. Com mais empregos, mais renda, mais consumo e mais produção, todos pagam mais impostos, mesmo que não haja criação de novas taxas.
Considerando somente os dados de agosto, a arrecadação de impostos e contribuições administradas pelo governo federal também foi recorde. Foram parar nos cofres do governo R$ 74,61 bilhões, alta de 8,11% em relação ao mesmo mês do ano passado, descontando os efeitos da inflação.
O resultado é recorde para meses de agosto. O maior valor da série registrado até então é o de dezembro do ano passado, quando a arrecadação bateu R$ 94 bilhões.
O resultado do acumulado da contribuição ao governo, seja quando ela aumenta ou diminui, tem um impacto indireto no bolso dos brasileiros.
O crescimento da arrecadação pode levar o governo a fazer mais investimentos no setor público, entre eles a contratação de novos servidores ou um aumento nos salários dos antigos. Em parte dos casos, esses serviços melhoram – mas não é o caso da saúde, de parte da educação ou da previdência, por exemplo.
O aumento na arrecadação significa que os brasileiros pagaram mais tributos, porque as empresas geraram mais empregos, o que reflete em maior arrecadação, as pessoas consumiram mais produtos, sobre os quais há pesada carga tributária, ou mesmo em razão da criação de novos tributos.
Já quando a arrecadação do governo cai, a tendência é que ocorra um corte de gastos.
Entretanto, o setor público não tem como reduzir suas despesas imediatamente, porque não dá para cortar funcionalismo, deixar de pagar Previdência e interromper investimentos em andamento. O governo não pode parar uma obra no meio. Portanto, a tendência é ele pegar dinheiro emprestado no mercado ou lançar medidas para aumentar a arrecadação.
Entretanto, se a queda na arrecadação persiste por um longo período, o governo pode reduzir seus planos de investimentos futuros, o que pode ter efeitos nos diversos setores, como infraestrutura, educação e saúde.
Motivos
Segundo a Receita, o bom desempenho dos principais indicadores macroeconômicos contribuiu para o resultado da arrecadação de impostos entre janeiro e agosto. No período, a venda de bens, da massa salarial e da produção industrial impulsionaram a arrecadação de IPI (Imposto sob produtos industrializados), PIS/Cofins, da contribuição previdenciária e do Imposto de Renda retido na fonte.
No acumulado de janeiro a agosto o volume de vendas no comércio cresceu 12,7%. Além disso, no período a massa salarial cresceu 15,96% na comparação com o mesmo período de 2010. Contribuiu ainda para a alta da arrecadação o aumento das importações, cujo valor em dólar cresceu 28,39% no período, na comparação com o mesmo período do ano passado.