Economia

Braskem registra prejuízo de R$ 26 milhões no terceiro semestre

Companhia teve Ebitda recorrente de R$ 818 milhões (150 milhões de dólares), sendo 104% superior ao segundo trimestre deste ano

A empresa, que também é responsável pelo maior polo petroquímico de Triunfo, afirmou que tem a pretensão de aproveitar gás natural para substituir a nafta na operação do complexo petroquímico
A empresa, que também é responsável pelo maior polo petroquímico de Triunfo, afirmou que tem a pretensão de aproveitar gás natural para substituir a nafta na operação do complexo petroquímico Foto : Maria Eduarda Fortes / CP Memória

A petroquímica global e produtora de resinas termoplásticas Braskem registrou um prejuízo de R$ 26 milhões no terceiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado, o déficit havia sido de R$ 592 milhões. A companhia teve Ebitda recorrente de R$ 818 milhões (150 milhões de dólares), sendo 104% superior ao segundo trimestre deste ano. A receita líquida da companhia teve redução de cerca de 20% em relação ao ano anterior, chegando aos R$ 17,30 bilhões.

O valor, segundo Felipe Montoro Jens, CEO da empresa, é considerado pelo plano de resiliência, com destaque para as iniciativas de redução de custo fixo e a estratégia comercial de abastecimento do mercado brasileiro. Os resultados e destaques financeiros relativos ao terceiro semestre de 2025 foram apresentados nesta terça-feira, dia 11.

O terceiro trimestre continuou pressionado pela volatilidade da economia global e pelo ciclo de baixa da indústria petroquímica, resultando em menor demanda de produtos. Esse cenário impactou, segundo a companhia, as referências de preço internacionais, com redução, em relação ao segundo trimestre, de 4%, 14% e 13% nos spreads de polietileno, polipropileno e policloreto de Vinila, utilizados como referência no segmento Brasil/América do Sul; e 4% no spread de polipropileno usado como referência no segmento Estados Unidos e Europa.

No Brasil e na América do Sul, a taxa média de utilização das centrais petroquímicas foi de 65%, inferior à do trimestre passado devido à parada programada no Rio de Janeiro. E as vendas de resinas no mercado interno caíram 5%, impactadas pelo maior volume de PE importado em julho, e agosto, e pela menor demanda de PP.

Já as vendas de químicos cresceram 11% no mercado doméstico e 10% nas exportações. Nesse contexto, o EBITDA dos Brasil foi de R$ 1.115 milhões, um aumento de 29% frente ao trimestre anterior, algo explicado principalmente pela priorização de vendas de maior valor agregado, estratégia de abastecimento do mercado brasileiro e implementação de iniciativas de resiliência.

Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização subiu para 79%, sendo beneficiada pela recomposição de estoques nos EUA. O Ebitda recorrente foi negativo em R$ 79 milhões, em função da menor demanda nas regiões. Já no México, a primeira parada geral de manutenção da central petroquímica, concluída em julho, ainda impactou a taxa de utilização e a margem do trimestre, o que resultou em um Ebitda recorrente negativo de R$ 204 milhões.

A geração operacional de caixa da companhia ficou negativa em R$ 334 milhões, sendo influenciada principalmente pelas maiores despesas com CAPEX e pelos maiores gastos com fornecedores, parcialmente compensada pela estratégia de otimização dos níveis de estoque no trimestre. E a dívida bruta corporativa encerrou o período em aproximadamente R$ 44,8 bilhões com prazo médio de nove anos e 69% dos vencimentos a partir de 2030.

Veja Também

Polo petroquímico de Triunfo

A empresa, que também é responsável pelo maior polo petroquímico de Triunfo, afirmou que tem a pretensão de aproveitar gás natural para substituir a nafta na operação do complexo petroquímico. Atual presidente da Braskem, Roberto Ramos afirmou que o consumo da matéria-prima tem potencial de rentabilidade adicional de cerca de 110 dólares por tonelada em comparação com a nafta. Ramos acrescentou que o uso de propano começou em um dos fornos do polo, mas como processo de ensaio, havendo, inclusive, um desempenho maior do que o esperado.

Acordo com Alagoas

Na noite desta segunda-feira, a empresa assinou um acordo com o Estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros de Maceió, por conta da extração de sal-gema. O pagamento das parcelas anuais será feito em até 10 anos, com vencimentos maiores a partir de 2030, e R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo a empresa. Jens afirmou que o pagamento reduz as indefinições para a companhia e acredita que pode auxiliar nas negociações.

A provisão referente ao evento geológico em Alagoas encerrou o terceiro trimestre em R$ 3,8 bilhões, 19% menor do que no segundo deste ano. Até 30 de setembro, o Programa de Compensação Financeira (PCF) contou com 99,9% das propostas apresentadas, sendo 99,5% delas já pagas.

Com relação ao plano de fechamento das cavidades de sal, a companhia afirmou que 18 estão com previsão de preenchimento prioritário, sendo que seis já tiveram o preenchimento concluído, três atingiram o limite técnico de preenchimento, sete estão com o processo de preenchimento em andamento e duas estão na fase de preparação e planejamento. Sobre as medidas sócio urbanísticas, já existem 11 projetos definidos para mobilidade urbana, sendo seis concluídos, três em andamento e dois em fase de planejamento.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio