Economia

BRDE amplia debate sobre soluções inovadoras no enfrentamento às mudanças climáticas no South Summit Brazil

Banco público planeja lançar Fundo de Investimento em Participações para fomentar startups da Região Sul com foco na resolução de problemas urbanos

Com foco no enfrentamento às mudanças climáticas, painel do South Summit nesta sexta-feira, 22, foi coordenado pelo Diretor-presidente do BRDE, João Paulo Kleinübing.
Com foco no enfrentamento às mudanças climáticas, painel do South Summit nesta sexta-feira, 22, foi coordenado pelo Diretor-presidente do BRDE, João Paulo Kleinübing. Foto : Mariana Paz / CP

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), um dos patrocinadores do South Summit Brazil, feira de negócios realizada nesta semana em Porto Alegre, esteve presente com painéis nos últimos dois dias do evento. Na quinta-feira, o destaque trazido pelo banco público foi a experiência da instituição em contratos com startups no setor público. Com o seu próprio programa de aceleração de startups, iniciativa chamada BRDE Labs, o banco tem despertado atenção com o uso das novas diretrizes do Marco Legal das Startups (Lei Complementar Nº 182) e tornou-se referência na contratação de startups por parte de empresas públicas.

Em sua quinta edição no Rio Grande do Sul, o BRDE Labs é direcionado para produtos e soluções nas áreas de saúde, construção civil, agronegócio e plataformas de gestão. O BRDE também viabilizou a presença de 12 startups gaúchas, premiadas pelo BRDE Labs, que estiveram expondo seus produtos no South Summit.

A gerente de Planejamento e Novos Negócios do BRDE no Paraná, Lisiane Maldaner Astarita de Limas, que coordenou o painel no RS Innovation Stage, salientou que o modelo já conquistou premiações nacionais, entre elas o Selo Inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). “A partir de um tema proposto com soluções em ESG, que se traduz em empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança, lançamos um desafio às startups prevendo a contratação definitiva”, relatou.

“Um fato positivo, também, foi a flexibilidade em todas as etapas do processo, o que nos ofereceu maior segurança”, acrescentou o CEO da AKVO, Jean Budke. A startup do Paraná desenvolveu uma plataforma que será utilizada pelo banco para medir o nível de compensação à emissão de gás de efeito estufa decorrente de projetos financiados pelo banco, estabelecendo uma relação entre recurso financeiro e a descarbonização.

Outra solução contratada pelo BRDE pelo mesmo modelo é a proposta desenvolvida pela Sipreme. Durante sua participação no painel, o CEO da startup, Gabriel Savio, explicou que a proposta contratada vai mensurar eventuais riscos que os projetos financiados pelo banco correm por conta dos eventos climáticos. “Com isso, será possível tomar decisões mais proativas e mitigar os efeitos climáticos”, frisou.

Na visão da gerente de Desenvolvimento da PUC-PR, Vanessa Bridarolle, o setor público representa um mercado promissor para startups agora com as novas regras do Marco Legal. “Antes era um processo muito mais complexo. Agora os editais do setor público são claros para as startups em todas as etapas, com maior segurança e agilidade”, destacou. O programa de aceleração de startups do BRDE no Paraná tem a Hotmilk-PUCPR como parceria na sua execução.

Enfrentamento às mudanças climáticas

Já na sexta-feira, um dos painéis do BRDE abordou as experiências de cidades resilientes e as soluções inovadoras para mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos. O painel foi coordenado pelo Diretor-presidente do BRDE, João Paulo Kleinübing, e contou com as participações do consultor em Gestão de Risco do Banco Mundial, Rafael Schadeck, o diretor da Defesa Civil de Santa Catarina, Cesar de Assumpção Nunes, e o CEO da Fractal Engenharia e Sistemas, Henrique Lucini Rocha.

Nunes, diretor da Defesa Civil de Santa Catarina, comentou que as cidades continuam construindo em áreas não adequadas e destacou a importância do planejamento prévio para construções civis.

Durante a conversa, foram abordadas as soluções que estão sendo adotadas frente aos estragos causados pelas chuvas, que atingiram recentemente cidades do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, e do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. “Hoje, por exemplo, estamos viabilizando recursos pelo Banco Mundial para desenvolvimento de sistemas de prevenção, em Santa Catarina, tanto em Brusque, em Rio do Sul, em Blumenau e também aqui no Rio Grande do Sul, nos municípios do Vale do Taquari. São ações que já estão acontecendo com recursos do Banco Mundial”, salientou o Diretor-presidente do BRDE.

Kleinübing afirmou também que o BRDE está preocupado não apenas com o ponto de vista financeiro, de viabilizar operações de crédito, mas no sentido de poder, junto com outras entidades, construir modelos de prevenção contra desastres climáticos. “Adaptar-se é ter informação para orientar o crescimento das nossas cidades, conhecer melhor o território e poder preparar a população e o poder público para poder fazer esse enfrentamento”, concluiu.


BRDE planeja lançar Fundo de Investimento em Participações (FIP) da Região Sul

O Diretor-presidente do BRDE, João Paulo Kleinübing, antecipou ao Correio do Povo uma iniciativa que a instituição pretende lançar ainda em 2024. “Talvez a nossa grande iniciativa neste ano seja a criação do nosso FIP Região Sul”, anunciou. Segundo Kleinübing, hoje o BRDE participa de alguns fundos de investimento em startups nacionais liderados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas o banco regional quer criar o fundo próprio da Região Sul, liderado pelo BRDE.

“Queremos trazer uma série de outros parceiros, como o Badesul e o Banrisul, trazer as universidades para apostar um pouco de recurso, trazer bancos internacionais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para participarem, com a finalidade de termos um clube voltado para a nossa região, para apoiar especialmente as empresas que estão iniciando”, explicou.

O executivo do BRDE afirmou que o fundo será lançado em breve, com uma chamada pública, seleção de apoiadores e organização do projeto. “Quando a empresa já está tracionada, começando, tem muita gente que quer colocar dinheiro. O desafio é justamente para quem está no estágio inicial, que é um dos nossos objetivos também, realmente apoiar quem quer inovar”, justificou Kleinübing.

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