Ao palestrar para alunos de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) no último dia 16, ele admitiu que o Plano Real foi eficiente no controle da alta vertiginosa dos preços, porém afirmou que a inflação não deve ser a prioridade. No lugar dela, o crescimento produtivo é que precisa estar no primeiro lugar da lista do governo. “É preciso rejeitar a política de crescimento com a poupança externa”, ressalta.
O economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Luiz Faria, concorda que a taxa de câmbio valorizada tem gerado prejuízo para as exportações, vitimizando as indústrias. “Sempre puxaram a taxa de juros para cima para atrair material especulativo e valorizar o Real. É isso que mantém a inflação baixa”, explica. O preço é a perda de competitividade do que é produzido internamente. Segundo ele, 70% dos produtos exportados eram industriais antes do Real. Agora a maior parte do que é vendido para fora do país é de origem mineral, ou rural. Isso deixa o país ainda mais dependente do clima. “Exportamos pouco valor agregado”, acrescenta.
Mesmo com as medidas protecionistas da Argentina, o que tem salvado o mercado exportador industrial é o Mercosul, conforme o economista. “Ainda temos um enorme colchão de reserva, mas temo que tenhamos uma crise cambiam daqui para frente”, analisa. Apesar de apontar problemas gerados em função da ferramenta para manter a moeda valorizada, Faria considera que a inflação baixa é benéfica para todos os setores.
“O crédito era muito complicado e com a inflação baixa, o governo pode sustentar, por exemplo, um programa de salário mínimo, que foi muito importante para a distribuição de renda melhorar”, ressalta.
Na opinião dele, o governo necessita fazer um esforço para desvalorizar gradativamente a moeda. “Já estamos fazendo isso. Se passasse dos R$ 2,40, melhoraria e não prejudicaria a inflação”, assegura.