Assim como o socialismo foi dissecado no primeiro painel do Fórum da Liberdade, nesta terça-feira, em Porto Alegre, também sobraram críticas para ações ligadas ao liberalismo econômico e ao capitalismo. Na primeira intervenção, o professor do Instituto Ludwig von Mises e bacharel em História pela Universidade de Harvard, Tom Woods, afirmou que parte dos problemas que são reflexos de crises econômicas são gerados por uma roda-viva que permite que o Estado “crie dinheiro”. Na avaliação dele, no momento em que emite papel-moeda, de forma unilateral, obtém dinheiro sem fazer nenhuma contribuição a ninguém. Ao mesmo tempo, esse processo pode levar à inflação. “As pessoas, mesmo sem ver, estão pagando mais pelo aumento de preços forçado pela emissão de dinheiro, que somente depois de transitar por alguns grupos e pelas entranhas do Estado chega aos bolsos da classe média”, afirmou.
Para Woods, essa manipulação acaba determinando que haja menos poupança, obrigando as pessoas a entrar no mercado financeiro para garantir perdas menores, pois não podem simplesmente empilhar dinheiro por 20 anos”, argumentou. Segundo Woods, mais do que reformas conjunturais na economia capitalista, é preciso uma reestruturação radical do sistema. Ele defendeu a separação entre Estado e dinheiro. “Todos conhecemos a expressão “separação entre estado e igreja. Mas se acreditamos na liberdade, defendemos a separação entre todas as coisas e o Estado. Porque o Estado nada mais é que uma arma apontada para a sua cabeça.”, alertou o norte-americano.
A segunda palestra foi um petardo de críticas a algumas ações do liberalismo. O administrador e consultor de empresas Stephen Kanitz afirmou que essa corrente de pensamento precisa entender que não é o egoísmo e a ganância dos empresários que faz a riqueza, mas a dedicação de seus administradores, que em geral recebem salário e não participação nos resultados e dividendos oriundos dessa atuação.
Kanitz também trouxe uma visão nova para a crise internacional. A partir da discussão em torno das dívidas imobiliárias, o consultor demonstrou que a concessão de incentivos fiscais sobre os débitos acumulados por quem comprava imóveis através dos bancos, gerou um universo imenso de dívidas. Na avaliação de Kanitz, uma pessoa que adquirisse uma casa de US$ 1 milhão, poderia ter incentivos que chegariam a mais de 80%, em alguns casos. “O erro foi que esses seguidores de Keynes criaram um benefício fiscal que não era sobre a compra do imóvel, mas sim sobre a contratação de uma dívida, o que acabou tragando parte dos recursos da população e exigiu dinheiro público para buscar a estabilidade”.
Por fim, o mestre em Economia pela Universidade de Chicago Ricardo Murphy apresentou algumas concepções sobre o impacto da inflação nas economias latino-americanas. Para ele, é preciso mais disciplina dos governos na condução das políticas econômicas, evitando a tentação de combater os problemas com a emissão de dinheiro.
Capitalismo é criticado em painel do Fórum da Liberdade
Evento ocorre nesta terça-feira em Porto Alegre