"O projeto cumpre as normas ambientais vigentes", afirmou a governadora de Atacama, Ximena Matas, que presidiu a reunião. Cerca de 250 manifestantes compareceram ao local da encontro, alguns portando bandeiras negras, em protesto contra o projeto. A aprovação da construção da termoelétrica ocorreu ao fim de um prolongado processo de avaliação ambiental, no qual em várias ocasiões sua denominação passou de "poluente" a "incômoda".
Segundo grupos ambientalistas, a termoelétrica ameaça a biodiversidade da região de Punta Cachos, que abriga colônias de tartarugas marinhas, populações de pinguins e lobos marinhos, entre outros. A ONG Oceána alertou para os efeitos negativos da emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono e poeira de carvão na atmosfera, assim como a elevação da temperatura do mar, que, de acordo com ela, alterarão os ecossistemas da região.
Duplicar a capacidade energética
Em 2010, o Chile cresceu 5,2%, enquanto sua geração elétrica só subiu 3%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O presidente do Chile, Sebastián Piñera, enfatizou que se o país quiser seguir crescendo neste ritmo, precisa duplicar sua capacidade energética.
A central Castilla, que se localizará 80 km ao sul de Copiapó, a capital regional, tem um investimento de 4,4 bilhões de dólares por parte do empresário Eike Batista, e pretende gerar 2.100 MW por carvão e mais 254 MW em usinas adjuntas de combustão a diesel.
As obras devem durar quatro anos, envolvendo a contratação de cerca de 1,8 mil funcionários, informou a companhia.
Sua instalação reforçará o papel da geração térmica a partir de carvão e petróleo na matriz energética chilena, que até o momento ocupa o primeiro lugar com 42,3% da geração elétrica, seguido pela energia hidráulica (33,8%), a de ciclo combinado a base de gás natural (23,5%) e a eólica (0,4%), segundo o INE.
Greenpeace se manifesta
O presidente do Greenpeace no Chile, Samuel Leiva, destacou que o país está "à beira de uma carbonização profunda da matriz energética" e disse que no Chile "não existe clareza na política energética", acrescentando que o país "não precisa da central Castilla".
O gerente geral da CGX (a filial no Chile da empresa MPX, de Batista) Pedro Litsek, qualificou a aprovação como uma "grande notícia", que permitirá à empresa "consolidar nossa presença no Chile e levar desenvolvimento ao país". Litsek afirmou que a usina será a mais moderna da América do Sul em termos ambientais. Ele ressaltou que todos os relatórios dos especialistas que nós contratamos garantem que não há impacto para a saúde e o meio ambiente com este projeto.
A ministra chilena do Meio Ambiente, María Ignacia Benítez, garantiu que seguirá de perto o cumprimento por parte da empresa das condições estabelecidas pela Comissão Avaliadora, como o compromisso de elaborar um estudo da biodiversidade da região."Fiscalizaremos a Castilla adequadamente", disse.
Por sua vez, os moradores da região vizinha de Totoral anunciaram que contestarão a aprovação do projeto no Tribunal de Apelações de Copiapó. Os projetos de termoelétricas causaram forte rejeição entre as comunidades locais. No ano passado, o presidente Sebastián Piñera interveio para que a empresa Suez realocasse uma termoelétrica que seria instalada perto de uma reserva ambiental.