Economia

Chile autoriza construção de termoelétrica de Eike Batista

Usina será instalada no Atacama, na região Norte do país

Chile autoriza construção de termoelétrica de Eike Batista
Chile autoriza construção de termoelétrica de Eike Batista Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom /ABR
O Chile deu sinal verde nesta sexta-feira para a construção da megacentral termoelétrica Castilla, propriedade do magnata brasileiro Eike Batista, que será instalada em uma área rica em biodiversidade, despertando uma forte rejeição da população. A termoelétrica, considerada o maior projeto deste tipo da América do Sul, foi aprovada por unanimidade pelos membros da Comissão de Avaliação Ambiental de Atacama, a região no Norte do Chile onde a usina deverá se localizar, em meio a grandes minas de cobre do país.

"O projeto cumpre as normas ambientais vigentes", afirmou a governadora de Atacama, Ximena Matas, que presidiu a reunião. Cerca de 250 manifestantes compareceram ao local da encontro, alguns portando bandeiras negras, em protesto contra o projeto. A aprovação da construção da termoelétrica ocorreu ao fim de um prolongado processo de avaliação ambiental, no qual em várias ocasiões sua denominação passou de "poluente" a "incômoda".

Segundo grupos ambientalistas, a termoelétrica ameaça a biodiversidade da região de Punta Cachos, que abriga colônias de tartarugas marinhas, populações de pinguins e lobos marinhos, entre outros. A ONG Oceána alertou para os efeitos negativos da emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono e poeira de carvão na atmosfera, assim como a elevação da temperatura do mar, que, de acordo com ela, alterarão os ecossistemas da região.

Duplicar a capacidade energética

Em 2010, o Chile cresceu 5,2%, enquanto sua geração elétrica só subiu 3%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O presidente do Chile, Sebastián Piñera, enfatizou que se o país quiser seguir crescendo neste ritmo, precisa duplicar sua capacidade energética.

A central Castilla, que se localizará 80 km ao sul de Copiapó, a capital regional, tem um investimento de 4,4 bilhões de dólares por parte do empresário Eike Batista, e pretende gerar 2.100 MW por carvão e mais 254 MW em usinas adjuntas de combustão a diesel.

As obras devem durar quatro anos, envolvendo a contratação de cerca de 1,8 mil funcionários, informou a companhia.
Sua instalação reforçará o papel da geração térmica a partir de carvão e petróleo na matriz energética chilena, que até o momento ocupa o primeiro lugar com 42,3% da geração elétrica, seguido pela energia hidráulica (33,8%), a de ciclo combinado a base de gás natural (23,5%) e a eólica (0,4%), segundo o INE.

Greenpeace se manifesta

O presidente do Greenpeace no Chile, Samuel Leiva, destacou que o país está "à beira de uma carbonização profunda da matriz energética" e disse que no Chile "não existe clareza na política energética", acrescentando que o país "não precisa da central Castilla".

O gerente geral da CGX (a filial no Chile da empresa MPX, de Batista) Pedro Litsek, qualificou a aprovação como uma "grande notícia", que permitirá à empresa "consolidar nossa presença no Chile e levar desenvolvimento ao país". Litsek afirmou que a usina será a mais moderna da América do Sul em termos ambientais.  Ele ressaltou que todos os relatórios dos especialistas que nós contratamos garantem que não há impacto para a saúde e o meio ambiente com este projeto.

A ministra chilena do Meio Ambiente, María Ignacia Benítez, garantiu que seguirá de perto o cumprimento por parte da empresa das condições estabelecidas pela Comissão Avaliadora, como o compromisso de elaborar um estudo da biodiversidade da região."Fiscalizaremos a Castilla adequadamente", disse.

Por sua vez, os moradores da região vizinha de Totoral anunciaram que contestarão a aprovação do projeto no Tribunal de Apelações de Copiapó. Os projetos de termoelétricas causaram forte rejeição entre as comunidades locais. No ano passado, o presidente Sebastián Piñera interveio para que a empresa Suez realocasse uma termoelétrica que seria instalada perto de uma reserva ambiental.


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