Economia

Cluster do setor calçadista lança nova marca com a ideia de reposicionar o Brasil no mercado americano

The South Base substitui o “Pacto Calçadista”; nova marca foi criada para se tornar uma fonte confiável de calçados junto à indústria norte-americana

O nome da marca, a identidade visual e o posicionamento foram pensados para atrair a indústria americana
O nome da marca, a identidade visual e o posicionamento foram pensados para atrair a indústria americana Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Foi lançado pelo cluster do setor calçadista do Vale do Sinos, em painel que aconteceu no auditório da Fenac, em Novo Hamburgo, a nova marca que vem para substituir o “Pacto Calçadista”. O novo branding The South Base foi criado com a ideia de reposicionar o Brasil no mercado norte-americano. Ainda assim, durante o encontro, apresentou-se uma discussão do cenário atual americano através do painel “Brasil & USA – Fronteira do Futuro”. Além dos três painelistas gaúchos, o debate contou com a participação on-line do presidente e CEO FDRA, Matt Priest. A FDRA é uma Associação de Distribuidores e Varejistas de Calçados da América, cujo grupo de gaúchos do setor são associados desde 2024.

O presidente do Conselho Estratégico do Pacto Calçadista, Marlos Schmidt, recordou as ações desde 2022, quando se iniciaram as tratativas para ingressar na associação norte-americana, e falou sobre novas projeções para 2025 e anos seguintes. “Lançamos o Pacto Calçadista em 2023 e desde então tem sido extremamente desafiador. Um dos compromissos que assumimos, enquanto grupo, é de realizar entregas. Nos tornamos associados da FRDA em 2024 e mobilizamos o setor para isso. Neste ano, formamos o grupo Private Label focado em calçadistas e agentes que tem conhecimento, capacidade de interagir e de realizar entregas junto a FRDA.”

Segundo ele, a ideia é ter mais pessoas interessadas, engajadas e interagindo para fomentar necessidades e demandas de entrega. Schmidt diz que 25 empresas exportadoras Private Lael serão selecionadas para participarem de uma capacitação, entregando solução para o cluster calçadistas focada no mercado americano. A apresentação da nova marca The South Base foi feita por Christian Thomas e Felipe Schmitt, que explanaram o passo a passo até chegar ao produto final.

Schmitt conta que a nova marca é fruto de um trabalho rico, que reflete muitas visões e tem a missão de sintetizar o que realmente se quer. "A marca é um lugar nobre, uma propriedade valiosa que ocupa um espaço na mente do nosso cliente. A nossa missão é justamente colocar o Brasil, o segmento calçadista, na mente do cliente norte-americano." Ele conta que o nome da marca, a identidade visual e o posicionamento foram pensados com essa missão. "Precisamos aparecer no topo das buscas do resultado mental do cliente, quando se pensa em uma solução. Sermos uma das alternativas dentro de um grupo de possibilidades, como uma fonte confiável de calçados junto ao mercado americano."

Christian Thomas, designer do setor calçadista, comenta que a criação da nova marca foi um desafio. "Focamos no propósito, nos desafiamos com as demandas, tivemos muitas contribuições e chagamos ao The South Base." Após a apresentação e lançamento do novo slogan, deu-se início a uma grande explanação sobre o cenário da indústria americana, os projetos e ações que o governo do estado está fazendo para impulsionar principalmente a cadeia de manutenção e o setor de calçados, e também quais os requisitos e pré-requisitos para prosperar com ousadia e coragem ao se inserir no mercado norte-americano.

O painelista economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio explanou sobre exportação, comércio e tarifas junto ao mercado atual dos Estados Unidos. Falou da readequação das cadeias de suprimentos e sobre a necessidade de articulação. A volta do presidente Trump, o jeito dele governar e de impor suas políticas. A incerteza do mercado. "É preciso entender esse movimento para se posicionar." Trouxe a tona o funcionamento da economia e da indústria. Os problemas no sistema tributário e como a insegurança jurídica têm afastado as empresas do mercado internacional. "É preciso olhar para nossa produtividade e competitividade. Uma empresa preparada vai conseguir se adaptar a qualquer cenário. Essa nova marca apresentada tem potencial de alavancar as vendas junto ao mercado americano."

O secretário executivo de Desburocratização e Empreendedorismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, Diogo Leuck, justificou a importância do setor calçadista junto à economia do Estado. "O setor calçadista se encontra na economia de manutenção porque ela é fundamental para manter o emprego e dar a manutenção da renda, do PIB e da produtividade atual. Ela é a base do nosso estado. Para impulsionar a cadeia de manutenção, criamos através dos arranjos produtivos setoriais, uma política pública que vai promover o adensamento dessa cadeia produtiva com maior foco na produtividade setorial."

Leuck garante que o governo está propondo uma política de incentivo do seu próprio setor. Ou seja, o governo deve dar condições para o setor prosperar e não criar impedimentos e dificuldades. O painel encerrou com a apresentação de um caso de sucesso. O diretor da Calçados Killana, Marcos Huff, cuja empresa tem sede na cidade de Três Coroas, mantém 65 % da produção voltada para exportação com destino para mais de 25 países, estabelecendo parcerias estratégicas com Estados Unidos e Europa. Huff. A empresa existe há 27 anos e pelo menos 20 trabalha com exportação.

"Em 2022 exportamos 17 milhões de pares de calçado para os Estados Unidos e o ano passado foi 11 milhões. É preciso se familiarizar com o processo e aprender a se inserir neste mercado. Além disso, é extremamente necessário cumprir prazos e estabelecer uma boa relação entre fábrica e fornecedor. Preço e qualidade devem andar juntos. Eu vejo que a região tem um potencial muito grande para desenvolver com excelência este novo projeto e o investimento em capacitação é outro requisito importante. É desafiador, curioso, ousado e precisa de encorajamento dos fabricantes."

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