Economia

Comércio informal aumenta na região Metropolitana

Prática é comum nas sinaleiras e cruzamentos movimentados de vias e rodovias

Comércio informal aumenta na região metropolitana
Comércio informal aumenta na região metropolitana Foto : Fernanda Bassôa / Especial / CP
O aumento do desemprego nas cidades da região Metropolitana de Porto Alegre e a extinção de postos de trabalho têm sido acompanhados do crescimento da informalidade e de atividades autônomas, conforme explica a economista da Fundação de Economia e Estatística do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Iracema Castelo Branco. Sem chances ou perspectivas de conseguir uma vaga de trabalho com carteira e assinada – e um rol de benefícios/garantias -, cada vez mais e em grande quantidade as pessoas estão migrando para o mercado informal.

Na região, essa prática pode ser percebida em grande quantidade especialmente nas sinaleiras e cruzamentos movimentados de vias urbanas e rodovias, como na ERS-118 e BR-116. Entre as ofertas: morangos, rapaduras, carregadores de celular.

“Diante da conjuntura atual, marcada por forte recessão econômica e agravamento da queda de ocupação, as pessoas acabam buscando alternativas ligadas a sobrevivência. É uma situação delicada. Estamos à frente de uma crise com sinais intensos na economia. Em 2014, a taxa de desemprego era de 5.9 e já demonstrava desaceleração. Em 2015, aumentou para 8.7, a maior elevação de um ano para o outro desde 1993. Julho de 2016 já bateu a marca de 10,4”, alerta a economista.

Com a falta de um serviço melhor Giovane, 51 anos, não tem outra opção se não vender rapaduras em pontos já pré-determinados e em dias e horários alternados. Abaixo de um tempo chuvoso, em uma das sinaleiras da RS-118, próximo da Estrada do Itacolomi, em Gravataí, ele conta que é assim que tem levado comida para casa.

“Sou casado e tenho dois filhos, um deles de apenas três meses. Preciso levar o leite para as crianças. Em tempos como este, está difícil arranjar trabalho. É a crise.” Assim como ele, Leandro, 45 anos, diariamente passa e perpassa carros e caminhões oferecendo a motoristas e pedestres caixinhas de morangos. “Trabalho aqui porque não consigo coisa melhor. Estou desempregado desde o final do ano passado e é desta forma que me sustento.”

Chefe de fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Canoas, Jorge Alberto Hoerlle, afirma que em 2015 houve a emissão de 229 alvarás para vendedores ambulantes. “Pessoas que saíram da informalidade e se regularizaram junto ao mercado de trabalho. Dados parciais de 2016 apontam que até o mês de agosto outros 262 alvarás foram emitidos. Temos notado que, ao contrário do que se imagina, os trabalhadores que tinham 10 ou 15 anos de carteira assinada, e que perderam o emprego, com o dinheiro da rescisão, abriram seu próprio negócio, até por uma questão de sobrevivência.”

Hoerlle explica que em 25 ações de fiscalização feitas neste ano, os agentes apreenderam 3.752 itens de procedência duvidosa e com características diversas: cigarros Cd´s, frutas, verduras, óculos, bijuterias, entre outros. “Temos conhecimento quanto a informalidade nas sinaleiras, mas dificilmente conseguiremos coibir na totalidade. São ambulantes itinerantes e atuam longe dos comércios, o que acaba não se caracterizando como concorrência desleal. Hoje, em virtude da questão social, estamos fazendo um trabalho mais de orientação do que apreensão dos produtos, tentando trazer estas pessoas para a formalidade. É preciso ter uma certa sensibilidade no momento de crise", disse.

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