O estado da Turíngia, na Alemanha, e a secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul assinaram um memorando na manhã desta quinta-feira, para proporcionar a oportunidade de estudantes gaúchos, com conhecimento intermediário da língua alemã, de formação técnica e universitária de até quatro meses no país europeu, financiado pela Turíngia. Após, pode permanecer em uma formação dual por um período de dois anos e meio a três anos.
O memorando tem apoio do Goethe-Institut, órgão do governo alemão voltado à educação, e que possui um escritório em Porto Alegre. A assinatura foi na sede da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), na Capital. No local, um encontro de alto nível, com mesa redonda e networking entre empresários gaúchos e alemães, também tratou de oportunidades de negócios em ambos os locais, especialmente nas áreas ópticas, sensores, equipamentos médicos e agrícolas, mas ainda hidrogênio verde, biocombustíveis e combustíveis sustentáveis de aviação.
“É realmente uma pauta bem diversa”, disse o diretor-executivo da Câmara Brasil-Alemanha no RS (AHKRS), Dietmar Sukop. Sukop disse também já haver conversas com futuros secretários do governador eleito Luciano Zucco. O órgão representa a Turíngia no Brasil. A delegação alemã, liderada pela ministra da Economia, Agricultura e Desenvolvimento Rural da Turíngia, Colette Boos-John, é de 55 pessoas, entre políticos e empresários, e passou também por Buenos Aires, na Argentina. Depois de Porto Alegre, passará ainda pelo Rio de Janeiro.
A Turíngia mantém, atualmente, negócios em torno de 220 milhões de euros com o mercado brasileiro. “Nossa intenção é utilizar os acordos para construir confiança mútua e identificar em quais pontos podemos colaborar. Nossa visão é que ambos os lados se beneficiem da expansão de nossas relações comerciais e, acima de tudo, de sua diversificação diante da atual conjuntura geopolítica”, disse Colette.
“Como políticos, podemos abrir as portas, mas cabe às empresas e instituições atravessá-las para ir ao encontro do outro. É por isso que dias como este são extremamente importantes. Precisamos trabalhar de forma muito concreta em projetos para alcançarmos uma história de sucesso”, acrescentou a ministra. O coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Aderbal Lima, classificou como “via de duas mãos” os negócios entre o Rio Grande do Sul e o estado localizado no centro da Alemanha.
“Nosso papel é conectar as 53 mil indústrias debaixo do nosso guarda-chuva com essas oportunidades, e também gerar oportunidades para os alemães que aqui vêm. Nós temos uma diversidade muito grande de pesquisas na empresa, nós não temos uma, duas ou três áreas concentradas. O perfil do Rio Grande do Sul não tem uma concentração no minério ou no agro. Essa diversidade é muito salutar. Isso se deve também à cultura que temos aqui de imigrantes, inclusive alemães”, comentou ele.