Economia

Com investimento de R$ 150 milhões, primeira unidade de biometano de gás de aterro sanitário é inaugurada pela CRVR no RS

Planta de Minas do Leão é a primeira a transformar gás de aterro sanitário em biometano para uso industrial e comercial no Estado

Planta tem capacidade de produzir até 66 mil metros cúbicos de gás natural renovável por dia a partir da decomposição de resíduos sólidos
Planta tem capacidade de produzir até 66 mil metros cúbicos de gás natural renovável por dia a partir da decomposição de resíduos sólidos Foto : Ricardo Giusti

A Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos Urbanos (CRVR) inaugurou nesta segunda-feira a primeira planta que transforma gás residual de aterro sanitário em biometano para uso industrial e comercial no Rio Grande do Sul, a Biometano Sul. A unidade, que fica no aterro da empresa em Minas do Leão, é fruto de um investimento de cerca de R$ 150 milhões do Grupo Solví, que controla a CRVR, e da empresa Arpoador Energia.

De acordo com a CRVR, a nova planta possui capacidade para produzir até 66 mil metros cúbicos de gás natural renovável por dia, o equivalente a 12,5 mil botijões de gás de cozinha. Entretanto, inicialmente, a intenção é comercializar o biometano para indústrias do RS interessadas na estratégia de descarbonização da matriz energética. Na inauguração da unidade, um caminhão movido 100% a gás foi apresentado, representando as diversas possibilidades de uso do biometano.

O diretor-presidente da CRVR, Leomyr Girondi, citou que este foi o maior investimento individual do grupo no RS e que surgiu a partir de uma inquietude da empresa em buscar soluções para o setor. "Cada dia trabalhamos valorizando o futuro. O biometano é a prova de que podemos mudar drasticamente a forma como nos relacionamos com os impactos que deixamos para o planeta. Muito em breve, por exemplo, os veículos que coletam e transportam resíduos em nossas cidades deixarão de usar combustíveis fósseis e passarão a usar um combustível gerado pelo próprio resíduo", salientou.

O governador Eduardo Leite participou da inauguração da primeira planta de biometano no RS e salientou que, com o apoio do governo, o Estado se consolida na posição de destaque no tratamento de resíduos. "É um investimento a ser celebrado, mas especialmente pelo que ele significa dentro de uma política associada aos conceitos de sustentabilidade, agregando valor àquilo que antes era completamente perdido. Investimento importante, ainda mais com a sinalização de que continuarão trabalhando para ampliar para o futuro", completou Leite.

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A planta inaugurada nesta segunda-feira utiliza o biogás gerado pela decomposição dos resíduos orgânicos no aterro da CRVR. Na unidade, o gás residual é purificado até ser transformado em biometano para comercialização. Ele possui características semelhantes ao gás natural fóssil, podendo ser utilizado na indústria, na geração de energia e como combustível de veículos, entre outras atribuições.

Além da planta de Minas do Leão, a CRVR está construindo uma segunda unidade de biometano no RS, em São Leopoldo. Nesta segunda planta, o investimento é de R$ 100 milhões, com capacidade para gerar cerca de 32 mil metros cúbicos por dia. A previsão é de que a nova unidade seja concluída no final de 2025 ou no início de 2026. No momento, as obras estão 60% concluídas.

Ao todo, o investimento total nas duas unidades é de cerca de R$ 230 milhões. Quando ambas tiverem em operação, a capacidade total será de gerar cerca de 100 mil metros cúbicos de biometano dia. Além disso, a intenção da CRVR é construir outras plantas de biogás nas demais unidades do grupo no RS nos próximos anos.

O diretor-executivo da Biometano Sul, Rafael Salamoni, explicou que o biogás produzido pela planta será comercializado para indústrias através da empresa Ultragás. Ele destacou ainda que, com a conclusão da obra em São Leopoldo e com a construção de outras unidades em Santa Maria, Giruá e Victor Graeff, a CRVR poderá atender até 10% da demanda de gás que existe atualmente no RS.

"Essa planta é um marco não apenas para o setor, mas para o futuro energético do Brasil. Vivemos em uma era de sustentabilidade e o biometano representa exatamente essa virada de chave. Ao transformar resíduos em combustíveis, estamos criando uma nova matriz energética eficiente e acessível. Além do uso industrial, o biometano pode entrar também na cadeia do transporte e ser o grande combustivel da descarbonização do país", concluiu Salamoni.

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