Economia

Com liquidação que tentou evitar, Master se junta a banco Santos, Bamerindus e Cruzeiro do Sul

Medida já vinha sendo cogitada pelo mercado desde que o regulador negou a compra de parte do banco pelo Banco de Brasília (BRB)

Com a decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial, o Banco Master se junta a uma lista de instituições financeiras que tiveram destino semelhante no passado, como Bamerindus, Banco Santos e Cruzeiro do Sul. Com ativos de R$ 87 bilhões e passivos de R$ 83 bilhões (dados de março do BC), esta é considerada uma das maiores intervenções bancárias da história do sistema financeiro brasileiro.

Para fontes do mercado, a tentativa de acordo costurada às pressas entre o Master e o Grupo Fictor – anunciada um dia antes da intervenção – foi uma última tentativa de evitar a liquidação. A medida já vinha sendo cogitada pelo mercado desde que o regulador negou a compra de parte do banco pelo Banco de Brasília (BRB).

Master no rol de casos históricos

A liquidação extrajudicial do Master se assemelha a outros casos emblemáticos:

  • Bamerindus (1997): A intervenção do BC foi decretada em 1997 com um patrimônio negativo de R$ 4,2 bilhões. A liquidação só foi encerrada em 2014, após a parte saudável do banco ter sido vendida ao HSBC.
  • Cruzeiro do Sul (2012): Teve a liquidação decretada em setembro de 2012, por um rombo de R$ 1,3 bilhão, e a falência foi oficialmente decretada pela Justiça em 2015.
  • Banco Santos (2004): A intervenção ocorreu em novembro de 2004, sendo convertida em liquidação extrajudicial e, posteriormente, em falência.

A liquidação extrajudicial é decretada quando o BC considera o caso irrecuperável, seja por fraude, como suspeita-se no caso do Master, ou por incapacidade de honrar compromissos financeiros. O processo interrompe o funcionamento do banco e afasta sua diretoria.

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Crise e tentativas fracassadas de solução

O banqueiro Daniel Vorcaro vinha buscando uma solução para o Master desde o início do ano, enfrentando dívidas de R$ 16 bilhões a vencer em 2025, segundo seu balanço mais recente. Ele tentou se desfazer do banco por duas vezes: a primeira com o BRB (negada pelo BC) e a segunda, na véspera da liquidação, com o Grupo Fictor.

Ao longo do ano, o Master realizou dois aportes de R$ 1 bilhão cada e tomou R$ 4 bilhões em recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), empréstimo que, após ser rolado, venceria no final deste mês.

O crescimento do banco foi impulsionado pela captação via CDBs garantidos pelo FGC. No entanto, a dificuldade em levantar recursos levou o Master a buscar financiamento em fundos de pensão de Estados e municípios, que investiram quase R$ 2 bilhões em títulos do banco. Essas aplicações viraram alvo de questionamentos e auditorias em tribunais de contas por todo o País.

Mudanças regulatórias e o FGC

As polêmicas envolvendo a captação de recursos pelo Master impulsionaram mudanças nas regras do FGC. Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou regras mais duras para o uso das garantias do Fundo.

O comunicado do BC à época fez clara alusão ao banco de Vorcaro, ressaltando que as mudanças "objetivam desincentivar financeiramente as instituições associadas ao FGC de usar as captações garantidas de forma desproporcional."

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