Há 29 anos, o empresário Fernando Nosé administra sua revenda de veículos no município de Não-Me-Toque, a cerca de 80 quilômetros de Passo Fundo. Desde que a central do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS) teve seu sistema desativado em função das inundações, Fernando diz que não comercializou mais nenhum veículo. Ele avalia que o impacto das inundações deva vir em ondas, ou seja, em etapas que devem se suceder até que todos os problemas comecem a ser resolvidos. Atualmente nenhum Detran do estado está em operação.
“Em função disso tudo, a roda está girando de forma mais lenta. Todos os Detrans do estado estão parados e, dessa forma, você não pode transferir um carro, fazer uma vistoria ou uma alienação”. Nosé esclarece que, toda vez que acontece a venda de um veículo financiado, é necessário que se faça a transferência para incluir esse gravame no documento do veículo e, consequentemente, receber o pagamento da financeira. “Como não tem Detran, não inclui o gravame e, se isso não acontece, a financeira não paga as revendas”.
Consumidor atento
Fernando fala ainda que não há uma ideia de quantos são os veículos que devem ser inutilizados após as enchentes, porque muitos ficaram totalmente submersos. Segundo ele, deve ser muito elevado o número de carros que serão encaminhados para recuperação. Por isso, é importante que o consumidor esteja atento sobre a procedência do veículo que venha a adquirir depois que os serviços se normalizarem. “Se não ficar vestígio aparente, as pessoas vão comprar, e esses carros podem vir a dar problema. Não sei como as seguradoras vão fazer para pagar tamanho prejuízo”.
Evitar ‘entrar numa fria’
O município de Não-Me-Toque, de acordo com Nosé, foi um dos que não sofreram quase nenhum impacto com as enchentes, mas teme que o receio de ‘entrar em uma fria’ faça com que as pessoas deixem de comprar carros assim que a situação começar a se normalizar. “As pessoas vão procurar saber mais sobre os carros. Muitos dos que estão em Porto Alegre passaram por uma situação e ninguém gostaria de ter esse carro na garagem. No momento, não vai dar nada, mas, a médio e longo prazos, eles vão apresentar problema. Esse é o impacto da situação nos automóveis”.
Sem prazo
O empresário diz que não acredita, ao menos a curto e médio prazos, que a situação venha a se normalizar, porque o prejuízo foi gigantesco e ainda não há como se mensurar. “Por isso que digo que o impacto vem em ondas. Vamos depender de iniciativa privada, dos governos e da boa vontade das seguradoras. Não diria que dentro de um ano isso tudo possa estar resolvido”.