O secretário da Receita Federal (RF), Jorge Rachid, disse nesta quarta-feira que os integrantes sob suspeita do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto esquema de corrupção, deverão ser notificados pela Corregedoria do órgão e afastados. Rachid afirmou, ainda, que os 74 processos sob suspeita serão reexaminados.
Os investigadores já possuem indícios suficientes para comprovar que a União deixou de arrecadar R$ 5,7 bilhões por causa da manipulação de julgamentos no Carf. Mas o esquema pode ter dado prejuízo de até R$ 19 bilhões aos cofres públicos. Na semana passada, a PF deflagrou a Operação Zelotes, que investiga o pagamento de propina a conselheiros para reduzir ou zerar multas de grandes empresas. O Carf é o órgão do Ministério da Fazenda responsável por analisar em segunda instância as autuações promovidas pelo Fisco.
“A partir da notificação, provavelmente, os conselheiros serão afastados”, disse Rachid em audiência da CPI do HSBC no Senado. Por conta do escândalo, as sessões do conselho foram interrompidas, mas Rachid informou que, “em breve”, haverá um novo calendário de sessões. “Todos os processos em cujo julgamento tiver sido constatada eventual irregularidade serão reexaminados”, afirmou. Na relação das empresas listadas na Operação Zelotes constam os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pactual e Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, a gigante da alimentação BR Foods, Petrobras e Camargo Corrêa, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo. Também constam os grupos gaúchos RBS, Gerdau, Marcopolo, Mundial-Eberle, Évora e Avipal, além da Braskem, proprietária da Copesul. A lista com todas as empresas investigadas pela PF.
Conselheiros do Carf devem ser afastados
Investigadores possuem indícios suficientes para comprovar que União deixou de arrecadar R$ 5,7 bilhões