O economista da coordenação de indústria do IBGE, Fernando Abritta, ressaltou que o setor da construção vem crescendo nos últimos anos e continuou crescendo em 2009, mesmo com a crise econômica. Segundo ele, houve algum impacto no primeiro trimestre, mas o setor conseguiu se recuperar. Lembrou que as contratações de obras públicas totalizaram R$ 85,4 bilhões em 2009, superando em R$ 16,8 bilhões o volume do ano anterior. O valor corresponde a 44,1% das construções - fatia superior aos 43,2% registrados em 2008.
A receita operacional líquida avançou 12% em 2009, para R$ 189 bilhões, contra R$ 154,6 bilhões de 2008. O número de empresas no setor de construção também aumentou, passando de 57 mil para quase 64 mil no período, assim como o universo de empregados, que saltou de 1,8 milhão para 2,04 milhões. A mão de obra também encareceu. Os custos com salários totalizaram R$ 48,2 bilhões em 2009, ficando R$ 9,5 bilhões acima dos custos registrados no ano anterior.
O salário médio mensal cresceu 9,2%, saltando de R$ 1.095,00 em 2008 para R$ 1.196,0 em 2009. Por outro lado, conforme Abritta, o salário médio caiu de 2,7 para 2,6 salários mínimos mensais. O economista explicou que a diferença foi resultante do reajuste de 12,6% no valor do salário mínimo, que obteve ganho real de 7,9% entre 2008 e 2009.
O gasto com o pessoal ocupado correspondeu a 30,3% do total dos custos e despesas das empresas de construção. Abritta ressaltou que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que baixou para zero a alíquota de 30 produtos, contribuiu para a redução de 26,4% para 24,9% na participação dos materiais de construção no total das despesas das empresas.