O brasileiro está bebendo menos, e a indústria cervejeira tem respondido com produtos cada vez mais distantes da cerveja tradicional, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostram que 64% dos brasileiros declararam não consumir álcool em 2025, contra 55% em 2023.
Nesse cenário, a Ambev apresentou nesta semana a Spaten Pro, cerveja sem álcool com 10 gramas de proteína e 92 calorias por lata de 350 ml. O produto chega aos mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro no fim de agosto, com preço entre R$ 10 e R$ 13. A proteína vem do soro do leite hidrolisado, em 75% do total, e de colágeno hidrolisado, nos 25% restantes.
A queda nas vendas
Em 2025, o Brasil vendeu 14,75 bilhões de litros de cerveja, o que representa uma queda de 5,1% em relação ao ano anterior, segundo a CervBrasil. O Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, registra recuo de 8,85% na produção nacional e alta de apenas 0,3% no número de cervejarias registradas, a menor variação de toda a série histórica.
O efeito aparece também no varejo. Levantamento da Abrasel de 2026 aponta que 61% dos empresários de bares e restaurantes percebem mudanças no comportamento dos clientes associadas ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. Mais da metade nota o avanço de bebidas com menor teor alcoólico ou sem álcool.
O novo comportamento do consumidor e a proteína
O nutriente já é presença frequente no setor de alimentos. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram quase 1.200 lançamentos com apelo de alto teor proteico, segundo a Euromonitor. As vendas globais de bebidas de nutrição suplementar devem crescer US$ 169 milhões de 2025 para 2026.
Parte do movimento se organiza em torno das terapias com GLP-1, classe de medicamentos usada para emagrecimento. Quem faz uso desses fármacos precisa preservar a massa muscular com ingestão calórica reduzida, o que amplia a demanda pelo nutriente.
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Como o setor tem reagido
Em maio, o Grupo Heineken lançou a Heineken Ultimate, com 97 calorias, 30% menos que a versão tradicional da marca, sem glúten e com teor alcoólico reduzido de 3,5%. Na ocasião, Maurício Giamellaro, CEO do grupo no Brasil, afirmou ao Estadão que o produto atende consumidores que buscam moderação e equilíbrio.
Só a Ambev já reúne, num mesmo guarda-chuva, o que chama de “escolhas equilibradas”: Stella Pure Gold, Michelob Ultra, Corona Cero e Skol Zero Zero. A Spaten Pro entra nessa linha, e segue o mesmo modelo de lançamento regional com expansão nacional depois, como aconteceu com o Guaraná Antarctica com fibras.
Para Dani Waks, vice-presidente de Marketing da empresa, a mudança de comportamento não explica sozinha o movimento.
“Óbvio que tem uma mudança comportamental, mas tem algo que é mais importante, na minha leitura, a mudança de produto. O consumidor não quer abrir mão do sabor, ele quer equilíbrio entre a propriedade nutricional e a indulgência, sem perder o sabor, e hoje o mercado permite isso,” explica.
O executivo descreve um consumidor atento à performance e ao cuidado com o corpo, cenário em que o treino de academia e outros esportes ganham espaço e ampliam a busca por alimentos e bebidas funcionais. As primeiras respostas da indústria, segundo ele, passavam por dietas que abriam mão do sabor. O que mudou foi a capacidade técnica de equilibrar os dois fatores.
A proposta não se limita a disputar espaço na gôndola de cervejas sem álcool. A companhia trabalha com a hipótese de que a bebida ocupe momentos fora da mesa de bar e do encontro social, o que implica uma mudança na cultura de consumo de cerveja no país, historicamente associada a contextos específicos.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo