A Aneel considera consumo irregular – ou perdas não técnicas – os erros de medição, deficiências no processo de faturamento, falta de medidor, fraudes e os furtos de energia, comumente chamados de "gatos".
A Região Norte é a campeã em consumo irregular de energia elétrica. De acordo com a Aneel, o índice de perdas equivale a 20% da energia distribuída. O Sudeste aparece em segundo lugar, com perda de 10%, seguido de Nordeste (9%), Centro-Oeste (5%) e Sul (3%). Ontem, em Alvorada, proprietários de curtume e supermercado foram levados à delegacia para prestarem esclarecimentos sobre o roubo de R$ 82 mil em energia. Nos primeiros quatro meses do ano, as fiscalizações da Companhia Estadual de Energia Elétrica resultaram na recuperação de R$ 6,4 milhões para os cofres da companhia.
Entre as distribuidoras, a Celpa, do Pará, lidera o ranking de perdas, com uma taxa de 24,4%. A Light, do Rio de Janeiro, tem a segunda colocação, com perdas atingindo 24,2% da energia distribuída. A Eletropaulo aparece em 11º lugar no ranking da Aneel, com perda de 10,8%. A Bandeirante está na 13ª posição, com consumo irregular na casa de 10,1% da energia distribuída. "As perdas não técnicas impactam a tarifa, pois parte desse prejuízo acaba sendo rateada entre os consumidores legalmente cadastrados na distribuidora, no momento do cálculo tarifário", lembra a Aneel, em nota.
O volume de energia desviado no ano passado equivale a 8% do consumo de eletricidade do chamado mercado cativo brasileiro, composto pelos consumidores que só podem comprar energia da concessionária de distribuição que atua na rede à qual eles estão conectados. O montante seria suficiente, por exemplo, para abastecer os 774 municípios atendidos pela Cemig, em Minas Gerais, e as 217 cidades que recebem energia da Cemar, no Maranhão.