Desde o início da atual administração, a taxa foi elevada em 1,5 ponto porcentual com o objetivo de combater a alta da inflação. A alta de 0,25 ponto porcentual era a aposta unânime. Para todos os analistas financeiros ouvidos, o Copom foi claro em sua comunicação desde o último encontro, ocorrido em abril.
A última vez em que houve unanimidade entre as instituições do mercado financeiro sobre a decisão do Copom foi em outubro de 2010. A próxima reunião está marcada para os dias 19 e 20 de julho. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) avalia que a alta terá um efeito reduzido nas operações de crédito.
De acordo com a Anefac, o efeito será pequeno porque "existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 121,96% ao ano". A diferença entre a Selic e o que é efetivamente cobrado das empresas também é grande. Pelas projeções da Anefac, a alta da Selic para 12,25% ao ano fará os juros cobrados no comércio subirem de 95,15% para 95,60% ao ano. A taxa média do cartão de crédito passará de 238,30% para 239,03% ao ano. No caso do cheque especial, a alta da Selic fará a taxa de juros subir de 155,20% para 155,76%.
As operações de crédito em bancos e financeiras também ficarão um pouco mais caras para o consumidor. A taxa de juros média do crédito direto ao consumidor (CDC) oferecido por bancos para a compra de automóveis subirá de 33,23% para 33,55% ao ano. Já o empréstimo pessoal realizado em bancos passará de 74,52% para 74,92% ao ano. Nas financeiras, os juros médios dos empréstimos pessoais passarão de 196,50% para 197,15% ao ano.
Na prática, as altas projetadas indicam pequenos aumentos, em reais, para o consumidor. De acordo com Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, com a Selic em 12,25% ao ano, o consumidor que for financiar a compra de uma geladeira de R$ 1,5 mil (preço à vista) em 12 vezes (zero de entrada mais 12 prestações) pagará parcelas mensais de R$ 176,47 (juros de 5,75% ao mês ou 95,60% ao ano). Antes da mudança, com a Selic em 12% ao ano, as prestações eram de R$ 176,28 (5,73% ao mês ou 95,15% ao ano).