Foi a sexta redução consecutiva na taxa básica de juros desde o final de agosto do ano passado, quando a Selic estava em 12,5% e o Copom cortou 0,5 ponto percentual, dando início ao processo de afrouxamento da política monetária. A decisão dividiu a diretoria do BC à época e surpreendeu a maioria dos analistas financeiros, que apostavam na manutenção dos juros de então.
Agora, o mercado trabalha com a expectativa de que o BC mantenha a Selic estável pelo resto do ano, para avaliar os efeitos dos juros mais baixos em um ambiente sem pressões inflacionárias, apesar das preocupações com a crise econômica internacional. A leitura mais aprofundada do cenário econômico interno e externo, no entanto, só será conhecida com a divulgação da ata da reunião de hoje na próxima quinta-feira, dia 26.
Para CNI, Copom "acertou mais uma vez"
O corte de 0,75 ponto percentual na taxa de juros Selic, realizada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi comemorada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que disse que o Banco Central "acertou mais uma vez". "A combinação de inflação em queda persistente e a permanência de um quadro de estagnação na indústria abrem espaço para uma política monetária mais ativa", diz a nota emitida pelo CNI.
A Confederação destacou que é necessário criar estímulos à expansão da oferta interna para enfrentar, em melhor situação, os produtos estrangeiros. A CNI avalia ainda que o próximo passo é a redução dos spreads bancários. "Retomar essa agenda é crucial para que o custo do capital aos tomadores de empréstimos seja menos punitivo à produção e para que a economia brasileira se aproxime dos padrões internacionais de financiamento".
Força Sindical classificou redução como “tímida”
Para a Força Sindical, no entanto, a redução da Selic foi "extremamente tímida". Em nota assinada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, a entidade afirma que foi uma "queda conta-gotas" e que "o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para fazer uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País".
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), por sua vez, avaliou a medida como “um importante passo para que o Brasil consiga enterrar de vez o fantasma do juro real mais alto do mundo". "Com as condições que se criaram hoje, com inflação sob controle e cenário externo ainda em fraca expansão, temos o melhor momento para reduzir as taxas de juros, e é isso o que o Banco Central está fazendo”, afirmou o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, em nota divulgada.