O dólar tem caído de forma intensa desde a semana passada, com a percepção de que o governo já não tem medidas suficientes para limitar a entrada de capitais no país. Opções mais drásticas, como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não devem ser adotadas para não brecar investimentos.
O Banco Central fez ontem um leilão de compra de dólares a termo, com liquidação em 3 de maio, e duas operações no mercado à vista. Analistas avaliam que o governo passou a encarar a queda do dólar como uma ferramenta auxiliar no combate à inflação, que já ameaça ficar acima da meta.
De acordo com Mantega, a atual queda do dólar é resultado da enxurrada de capitais que estão desembarcando no Brasil tanto em reflexo da atual situação da economia mundial quanto pela maior solidez da economia brasileira. "É um problema bom", argumentou o ministro. "É inevitável que o Brasil tivesse essa valorização cambial", disse.
Guido Mantega rebateu as críticas dos que defendem um câmbio flutuante. Segundo ele, um dólar mais baixo seria "até bom para a inflação", mas prejudicaria as exportações. Para Mantega, é melhor que a valorização do real se dê de forma gradual.