O Banco Central se prepara para elevar pela terceira vez consecutiva a taxa de juros Selic. A aposta dos analistas é que os atuais 11,25% passem a 12%, alta de 0,75 ponto percentual, o que tornaria a taxa brasileira uma das mais altas do mundo em meio a temores de possível aceleração da inflação.
Após dois dias de reuniões, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar amanhã, 10 de dezembro, um novo aumento, indo na contramão dos apelos do presidente Lula de reduzir juros e impulsionar o crescimento econômico. Quando o juro está mais barato o crédito é facilitado, o que impulsiona o consumo. Entretanto, quando o consumo de um determinado produto aumenta ele se valoriza e o preço sobe, o que eleva índices de inflação.
As estimativas de mais de uma centena de instituições financeiras e consultorias entrevistadas pelo jornal Valor, que mostram taxa de referência subindo 0,75 ponto percentual, passando dos atuais 11,25% para 12% ao ano, sinalizam uma aceleração no ritmo de alta, já que houve aumento de 0,25 ponto percentual em setembro e outro de 0,50 ponto em novembro. Segundo analistas, as pressões sobre a taxa Selic estão concentradas nas pioras das expectativas de inflação junto com a desvalorização da moeda e as pioras dos indicadores fiscais.
Em nota divulgada hoje, 9, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a política monetária ainda mais contracionista como um erro, tendo em vista a redução “significativa” do impulso fiscal sobre a atividade econômica, considerando também o pacote apresentado pelo governo ao Congresso.