A UE apresentará ao Brasil seus planos para superar a crise antes da reunião do G20 em novembro na França. Várias fontes europeias disseram que não esperam uma ajuda direta do Brasil, que integra o grupo do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Recentemente, o bloco das potências emergentes se declarou disposto a considerar, se necessário, um apoio via FMI e outras instituições financeiras internacionais, para enfrentar os desafios e a instabilidade econômica mundial.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso Barroso, deve abordar com a presidente brasileira a decisão de taxar as transações financeiras na UE, que deseja arrecadar 55 bilhões de euros anuais, e os planos de ajuda para resgatar a Grécia.
O governo brasileiro pediu aos Estados Unidos e Europa rapidez nas decisões para enfrentar a crise econômica. O Brasil, interlocutor privilegiado dos europeus e cada vez mais protagonista no cenário mundial, também discutirá a situação da Líbia, agora sem Muammar Kadhafi, e o pedido de adesão de um Estado da Palestina na ONU.
Mercosul e energia também na pauta
Além disso, serão analisadas as negociações entre o Mercosul e a UE antes da rodada de conversações em novembro no Uruguai. Os dois blocos precisam superar vários obstáculos no setor agrícola, especialmente o ressentimento de produtores franceses depois de uma inundação de importações de carne. A expectativa brasileira é de que não haja resistência para avanços nas negociações entre os dois blocos
A Europa deverá deixar de lado seus receios quanto às recentes medidas do Brasil para proteger sua indústria - as isenções fiscais e o aumento do imposto sobre as importação de automóveis -, consideradas medidas protecionistas.
Na agenda, ainda está previsto que a UE avance com o Brasil no diálogo sobre energia, que foi iniciado em 2007. O Brasil é o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, depois dos Estados Unidos, e possui 74 instalações com capacidade para produzir seis milhões de metros cúbicos de combustível por ano (em 2010 a produção foi de 2,4 milhões).
Dilma e UE avaliarão propostas comércio e investimento bilateral
Na terça-feira, a presidente participará no V Fórum Empresarial Brasil-União Europeia, que ocorrerá paralelamente à reunião de cúpula e inaugurará o Festival Europalia, que este ano tem a diversidade do Brasil como tema principal. Durante a visita, Brasil e União Europeia pretendem aprofundar o comércio e o investimento bilateral.
O Brasil é o quarto principal destino dos investimentos europeus, e o sexto maior investidor na Europa. No primeiro semestre de 2011 o país se tornou o nono maior parceiro comercial da UE.
A UE pretende aprofundar também as relações em matéria de ciência, tecnologia, educação e turismo com o país sul-americano. Neste sentido, a União Europeia vai insistir na necessidade de assegurar a isenção de visto para os europeus que viajam para o Brasil em visitas de curta duração, conforme o acordo prévio, mas que ainda não funciona no caso do Chipre, Malta, Letônia e Estônia.