O problema tem origem na exigência do governo brasileiro das licenças prévias de importação emitidas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em Brasília. Os motoristas, principalmente os autônomos, queixam-se por estar há uma semana sem poder sai do PSR. Já líderes classistas defendem a posição do governo por estabelecer regras às relações comerciais entre Brasil e Argentina, até então sempre favoráveis ao vizinho país.
Conforme Lauri Kotz, presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Rio Grande do Sul, antes o ingresso era automático enquanto máquinas e implementos brasileiros, por exemplo, sofriam vários entraves para serem nacionalizados na Argentina.
Kotz acrescentou que pequenas artimanhas burocráticas, barreiras não tarifárias e a desvalorização do peso em relação ao real contribuíram para prejudicar os negócios entre os principais parceiros do Mercosul. O episódio somado ao fim de semana gerou formação de filas no trevo de acesso ao PSR - o maior da América Latina e, nesta terça-feira, dia de maior movimento nos acessos ao PSR, pela BR 290, os entraves deverão se agravar ainda mais, disse Kotz.
Apesar disso, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, garantiu, na segunda-feira, que as licenças não automáticas exigidas à entrada de automóveis no Brasil não provocaram qualquer desgaste com a Argentina. Pimentel destacou que, na próxima semana, deverá ocorrer uma reunião com a ministra argentina Debora Giorgi. Ele atribuiu o desconforto do país vizinho à proximidade com o Brasil. "A medida não é contra nenhum país. É para proteger a nossa indústria."