O déficit em conta corrente do Brasil, que vem subindo desde 2008, pode aumentar a vulnerabilidade externa do País a longo prazo. A avaliação é da economista Teresinha Bello na publicação deste mês da Carta de Conjuntura da Fundação de Economia e Estatística (FEE), divulgada nesta quarta-feira. Segundo ela, a perda de vigor das exportações, agravada pela crise mundial e a valorização cambial, vem contribuindo para a elevação do déficit em transações correntes. No entanto, esse não é o único fator. Alia-se a isso o crescimento acelerado das importações, o crescimento dos gastos brasileiros com viagens ao exterior, além da elevação de remessas para fora do território brasileiro de lucros e dividendos pelas empresas multinacionais com sede no País.
Apenas no ano passado, foram enviados US$ 25 bilhões em lucros e dividendos, montante praticamente igual ao ingresso em investimentos no País. Diante desse cenário, a economista põe em xeque as medidas de ajustes que o governo pretende adotar para equilibrar o déficit de conta corrente. “A tendência é de aumento do déficit e o financiamento via conta de capital e financeira ou através da utilização das reservas cambiais, pode significar, num prazo mais longo o aumento da vulnerabilidade externa, uma vez que essas modalidades são mais suscetíveis a mudanças bruscas. A situação é preocupante”, avaliou.
A alternativa a isso para ajustar o déficit, no entendimento da economista, é investir para não depender do mercado externo. Mas é necessário aumentar esse percentual de investimento que hoje representa 18% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda baixo pelas potencialidades do País. Também poderia ajudar a implementação de algumas medidas protecionistas, especialmente para conter o ingresso de bens de consumo no mercado brasileiro.
Déficit pode aumentar vulnerabilidade externa do Brasil
Avaliação é de economista da FEE e foi divulgada na Carta de Conjuntura