Dólar alto em relação ao peso na Argentina afeta negócios na região

Dólar alto em relação ao peso na Argentina afeta negócios na região

Na Argentina, moeda beirou 500 pesos, recorde que pode mexer com o comércio exterior

Correio do Povo

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Em um quadro de dificuldades na economia e inflação de mais de 100%, exacerbado pela incerteza diante da eleição marcada para outubro, o dólar atingiu novo recorde histórico na Argentina, aproximando-se dos 500 pesos. O governo veio a público, com o ministro da Economia, Sergio Massa, comprometendo-se a estabilizar o câmbio e a renegociar o pacote com o FMI. Porta-vozes do Fundo confirmaram o diálogo em andamento. No mercado paralelo a moeda americana chegou a avançar para 497 pesos. No mercado oficial, quase inexistente no país vizinho, a moeda valia 227,54 pesos nesta terça-feira. 

A cotação do dólar já havia batido recordes no dia 13, quando superou 400 pesos. Na ocasião havia dobrado de valor frente à moeda argentina no mercado paralelo no intervalo de 12 meses. Segundo o professor de Economia e Relações Internacionais da ESPM de Porto Alegre, Roberto Uebel, a situação tende a piorar. “Na Argentina se fala em valorização do dólar em mais 8% até o final de abril”, projeta.

“Um peso argentino enfraquecido é confirmação da inflação e descontrole do governo na política fiscal e cambial. Se houver transações em dólar, ficará mais caro o produto exportado pelo Brasil. Desta forma, pode gerar redução na aquisição. Se a economia dos nossos vizinhos vai mal, somos impactados”, observou. No entanto, o economista pondera que na visão macro o cenário não deve trazer malefícios preponderantes ao contexto gaúcho ou brasileiro. “Se fosse uma turbulência no sentido de mudança drástica no governo de lá, que adotasse política de congelamento da taxa de câmbio, aí afetaria”, diz. A atenção, segundo ele, deve estar no “jogo eleitoral” dos hermanos. “Há fortalecimento de Javier Milei e possibilidade do retorno de Cristina Kirchner, candidatos que costumam tomar medidas populistas”, detalhou.

A Dana é líder mundial na fabricação de tecnologias de força e produtos de linha de transmissão, e fornecedora de peças originais para montadoras de veículos com negócios em mais de 20 países. Diretor de Relações Institucionais, Comunicação e Marketing da companhia, Luis Pedro Ferreira, lamenta a situação no país vizinho, mas destaca que o dólar na Argentina não afeta sua demanda. “Já usamos o mecanismo de venda na moeda local. A indústria de picapes migrou para lá há anos, entretanto, a Argentina não é nosso principal destino. Temos operações no país há 73 anos. São ciclos, infelizmente, comuns aos negócios na América do Sul”, concluiu Ferreira.

No Brasil, mercado de soja pode ter ganho

A instabilidade da economia argentina pode impactar o mercado da soja no Brasil no curto prazo, afirma o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul), Antônio da Luz. Com a perda aproximada de 50% da safra da oleaginosa em função da estiagem, a mesma que também impactou a produção gaúcha, a tendência é que o país precise, em breve, importar o grão. “Naturalmente a Argentina buscaria esse grão no Rio Grande do Sul, mas também não tivemos uma boa safra com a perda de 10 milhões de toneladas”, lembra da Luz.

A expectativa recai sobre os reflexos sobre preços do grão no mercado nacional. Mesmo com a quebra na produção gaúcha, o Brasil colhe uma safra recorde, com mais 25 milhões de toneladas de soja ante o ano passado. “Temos superoferta de soja, tanto que estamos exportando grão do Centro-Oeste pelo Porto de Rio Grande. Logo, essa pressão de importação argentina poderá ajudar os preços a se recuperarem no Brasil”, diz o economista. Até no Rio Grande do Sul, onde a quebra na produção já se aproxima de 40%, os valores deprimiram. Segundo a Safras & Mercado, na segunda-feira a saca de 60 quilos de soja caiu de R$ 140,50 para R$ 135. O mesmo ocorreu nas Missões. A cotação baixou de R$ 139,50 para R$ 134.


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