Dólar baixa 0,68% com acordo EUA-China e fecha dia a R$ 4,09
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Dólar baixa 0,68% com acordo EUA-China e fecha dia a R$ 4,09

Ibovespa fechou em alta de 1,98% e encerra a semana com ganhos de 1,25%

Otimismo com acerto comercial entre China e EUA fez o dólar cair mundialmente

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O otimismo com um acerto comercial entre China e Estados Unidos fez o dólar cair mundialmente nesta sexta-feira. No mercado doméstico, a moeda americana chegou até a subir pela manhã, mas o movimento perdeu força e o dólar à vista fechou em baixa de 0,68%, a R$ 4,0948. Com a queda desta sexta, o dólar reduziu a alta na semana para 0,95%, mas a expectativa de novos cortes de juros aqui, e a redução do diferencial de juros com o exterior, segue como um limitador para um recuo maior da divisa americana, tanto que nesta sexta outros países, como África do Sul, Chile e Colômbia tiveram desempenho melhor que o real.

No final da tarde, a Casa Branca confirmou o acerto de uma acordo "fase 1" em negociações que deverão ter "mais duas ou três fases", mas a avaliação de analistas é que nada ainda foi oficialmente assinado, tarifas programadas para subir em dezembro não foram suspensas e o quadro de incerteza permanece.

Mais cedo, a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que "boas coisas" estavam acontecendo nas negociações com os chineses já foi suficiente para estimular a busca por ativos de risco. As bolsas subiram com força na Europa, EUA e aqui e o dólar caiu de forma generalizada ante divisas emergentes e de países desenvolvidos. A lira turca foi uma das raras exceções e se enfraqueceu, após a Casa Branca ameaçar impor sanções ao país. A moeda da Turquia foi a com pior desempenho na semana, com alta de 3,4% do dólar no país.

"Chegamos a um acordo fase 1 muito substancial com a China", disse Donald Trump. Pelas negociações, a Casa Branca não vai aplicar aumento de tarifas sobre produtos chineses que entrariam em vigor no próximo dia 15, mas as que entrariam em vigor dia 15 de dezembro permanecem em discussão.

O estrategista-chefe de moedas do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin, ressalta que o acordo parcial impede que as coisas piorem entre as duas maiores economias do mundo, mas não resolve a tensão comercial entre a Casa Branca e Pequim, tanto que as tarifas programadas para subir em dezembro continuam em vigor. Ele ressalta que os mercados operaram otimistas quinta e sexta com a possibilidade de um acordo, por isso, o espaço para frustrações era alto.

Ibovespa

A expectativa em torno de um acordo parcial entre China e Estados Unidos deu o tom aos negócios nos mercados globais nesta sexta-feira. Em sintonia com as bolsas em Nova York, o Ibovespa operou em alta firme ao longo de todo o dia e emendou o terceiro pregão seguido de valorização. Entre mínima aos 101.818,60 pontos e máxima aos 104.380,89 pontos, o principal índice da B3 fechou aos 103.831,92 pontos, em alta de 1,98%, com volume negociado de R$ 15,4 bilhões. Com recuperação nos últimos dias, o Ibovespa não apenas anulou as perdas de mais de 2% nos pregões de segunda e terça-feira como encerrou a semana com ganhos de 1,25%.

O otimismo tomou conta dos mercados ainda pela manhã, após o presidente americano, Donald Trump, afirmar, no Twitter, que "coisas boas estão acontecendo nas reuniões com a China". À tarde, enquanto investidores aguardavam o desenlace do encontro entre Trump e o Li He, vice-primeiro-ministro chinês, com início agendado para as 15h45 (de Brasília), circularam informações extraoficiais de que as partes haviam chegado a um acordo parcial. Basicamente, a China compraria mais produtos agrícolas dos EUA em troca do adiamento da imposição de novas tarifas a mercadorias chinesas.

Na reta final dos negócios, Trump anunciou que havia chegado a um acordo "fase 1" e "muito substancial" com o gigante asiático. As negociações com a China, disse Trump, terão duas ou três fases. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou que os EUA não vão aplicar o aumento de tarifas sobre a China com início previsto para o próximo dia 15. Mas a alta tarifária prevista para 15 de dezembro continua valendo.

O estrategista da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, observa que a alta do Ibovespa esteve atrelada principalmente ao ambiente externo benigno, embora haja também um pano de fundo doméstico favorável à recuperação do mercado. "Com um acordo parcial entre China e Estados Unidos, a aversão ao risco e a volatilidade diminuem, o que favorecer a busca de retornos em países emergentes, afirma Franchini.

Por aqui, o mercado ainda reverbera a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei da partilha do megaleilão de petróleo da cessão onerosa - o que diminui as tensões políticas e, por tabela, diminui os temores de aumento destas tensões e de atraso na votação final da reforma da Previdência no Senado.

Uma vez assegurada a solvência das contas públicas com a reforma do sistema de aposentadorias, espera-se que o governo se volte para medidas que alimentam a expectativa de retomada do crescimento, como a aceleração das privatizações. As seguidas revisões para baixo das projeções para a taxa Selic no fim do ano, que ganharam ainda mais força com a nova ponderação do IPCA, trazem expectativa de aceleração da atividade.

Não por acaso, a alta do Ibovespa nesta sexta-feira foi generalizada, abrangendo diversos setores, como varejistas, bancos e exportadores de commodities. Dos 68 papéis que integram a carteira teórica do Ibovespa, apenas duas ações terminaram em queda: PNB da Eletrobras caíram 2% e ON, 1,42%. Entre os índices setoriais, a liderança coube ao Índice de Materiais Básicos (3,05%), seguido pelo Índice de Consumo (1,93%).

No grupo das blue chips, Vale ON liderou os ganhos, com alta de 2,92%, seguida por o papel PN da Petrobras (+1,94). Os papéis dos principais bancos avançaram mais de 1%, com destaque para a ação ON do BB (+1,87%).

Franchini, da Monte Bravo, afirma que a conjugação de maior apetite ao risco, caso se consolide a trégua na guerra comercial sino-americana, com queda da Selic pode dar um fôlego extra ao mercado acionário no fim deste ano. "Esse cenário de juro básico de 4,5% no fim do ano é disruptivo. Se o ambiente externo permanecer positivo, podemos ver o Ibovespa superar os 105 mil pontos nas próximas semanas e começar a sonhar com 110 mil pontos no fim do ano", diz.

Taxas de juros

O mercado de juros completou nesta sexta-feira a quarta sessão consecutiva de taxas em queda, nesta sexta mais pronunciada na ponta longa da curva, graças a um cenário de maior apetite pelo risco no exterior, por sua vez amparado no otimismo sobre o fechamento de um acordo comercial entre a China e os Estados Unidos. Os vencimentos de curto e médio prazos recuaram, ainda embalados pelo aumento das apostas de afrouxamento monetário, que ganhou novos argumentos - reponderação do IPCA pela nova POF e volume de serviços abaixo da mediana das estimativas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020, o que mais reflete as apostas para as reuniões do Copom neste ano, fechou em 4,928%, de 4,940% na quinta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 4,59%, de 4,648%. A do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,750% para 5,59% e a do DI para janeiro de 2025 encerrou na mínima de 6,25%, de 6,441%. Na semana, os principais contratos fecharam com alívio entre 25 e 35 pontos-base.

Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a precificação da curva já aponta 10% de chance de corte de 0,75 ponto e 90% de chance de redução de 0,5 ponto na Selic, na próxima reunião de política monetária dos dias 29 e 30. No fim do ciclo, a precificação é de taxa básica em 4,40%.

O cenário para a inflação de 2020 se tornou ainda mais favorável depois da divulgação dos pesos do IPCA à luz da nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) que passará a valer a partir do ano que vem, horizonte para onde se volta agora a política monetária. A expectativa de que os novos pesos pudessem dar alívio entre 10 e 20 pontos-base às projeções para 2020 se confirmou, mas algumas instituições aproveitaram a deixa para revisar ainda mais seus cenários. Na pesquisa do Projeções Broadcast, de 22 instituições ouvidas, 13 modificaram projeções após a nova ponderação, e a mediana ficou em 3,60%. Antes da divulgação, a mediana era de 3,70%.

O mercado segue não vendo riscos de pressão inflacionária vindos nem do câmbio nem da atividade, tendo sido divulgado mais um dado que frustrou parte dos economistas. O volume de serviços prestados caiu 0,2% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas (-0,05%) dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast.

Nos vencimentos longos, o alívio veio do bom humor dos mercados internacionais. Desde manhã, a expectativa de que um acordo, ainda que parcial, entre a China e os Estados Unidos pudesse sair favorecia ativos emergentes e, no fim da tarde, já com a sessão estendida em andamento, isso se confirmou. "Chegamos a um acordo 'fase 1' muito substancial com a China", disse o presidente Donald Trump, acrescentando que as negociações terão duas ou três fases.