Após abrir em alta, o dólar comercial retomou a trajetória de queda e fechou o dia abaixo de R$ 1,70, cotado a R$ 1,699 na mínima do dia (queda de 0,23%). Esta foi a quinta queda consecutiva no mercado interbancário para a moeda, que atingiu o menor valor desde 3 de setembro de 2008, quando fechou em R$ 1,678. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar à vista fechou em baixa de 0,19%, a R$ 1,6993.
Pela manhã, a cotação máxima do dólar comercial foi de R$ 1,714. No mês, a moeda registra uma baixa acumulada de 4,12% e, no ano, de 27,24%. "A moeda demorou para furar os R$ 1,70 na sessão à vista (da BM&F) por causa da defesa de posições por parte de investidores em derivativos cambiais", disse o operador de um banco estrangeiro. "Tendo em vista que o dólar para novembro de 2009 furou o suporte de R$ 1,705 hoje e chegou a testar o próximo piso, de R$ 1,702, ao bater a mínima durante o dia de R$ 1,7025, tudo indica que a pressão amanhã se concentrará no piso seguinte, que é de R$ 1,70."
Segundo o operador, se esse nível de preço vier a ser quebrado pelo dólar com vencimento em novembro amanhã, os investidores que carregam essas operações futuras tendem a sair vendendo também no mercado à vista, o que poderá levar as cotações para abaixo. No mercado futuro, o dólar com vencimento em 1º de novembro às 16h51 já subia 0,03%, cotado a R$ 1,707, sendo que a máxima registrada pela manhã foi de R$ 1,7195.
Ao longo do dia, a alta inicial do dólar à vista não se sustentou porque o cenário externo melhorou, disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira. Os índices acionários norte-americanos Dow Jones e S&P500 recuperaram as perdas iniciais e terminaram com leves ganhos, na esteira da persistente valorização das commodities. Os preços do petróleo, por exemplo, superaram a barreira dos US$ 77 por barril em Nova York e renovaram a máxima de fechamento do ano. Esse desempenho impulsionou as ações do setor de energia em Wall Street.
Mais cedo, no entanto, as perdas registradas pelas Bolsas norte-americanas refletiram uma realização de lucros, amparada nos fracos dados sobre a atividade industrial do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) da Filadélfia e também nos balanços trimestrais do Goldman Sachs e do Citigroup. Os resultados dos bancos, embora mais promissores que as previsões, não superaram a expectativa dos investidores, após o JPMorgan Chase divulgar ontem um lucro excepcionalmente alto no terceiro trimestre. O gigante bancário Goldman Sachs reportou lucro no terceiro trimestre de US$ 3,19 bilhões. O Citigroup obteve lucro líquido de US$ 101 milhões.
O declínio mais acentuado que o previsto nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA e a melhora no índice de atividade industrial do Fed de Nova York também ajudaram a amparar a virada final das bolsas para o terreno positivo.
Dólar cai pela quinta vez consecutiva e fica abaixo de R$ 1,70
Moeda atingiu o menor valor desde 3 de setembro de 2008