O dólar apresentou leve alta no mercado local na sessão desta quarta-feira, 4, e fechou na casa de R$ 5,64. O escorregão do real veio apesar do enfraquecimento global da moeda americana, na esteira de dados econômicos abaixo do esperado nos EUA, que reforçam a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) neste ano.
Operadores atribuíram a falta de fôlego do real ao menor otimismo em torno das medidas em estudo no governo para ajustar as contas públicas, em substituição às alterações do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na terça, a despeito da alta global do dólar, o real não apenas se fortaleceu como apresentou o melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, embalado por sinais de que estariam sendo debatidas ações fiscais mais estruturais.
Com máxima a R$ 5,6535 na última hora de negócios, em paralelo a mínimas do Ibovespa, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,17%, a R$ 5,6455. A moeda ainda acumula queda de 1,29% nos três primeiros pregões da semana e de junho. Pela manhã, a divisa até ensaiou uma queda, com mínima a R$ 5,6105.
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Fontes ouvidas pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) afirmam que as propostas para compensar um eventual recuo no aumento do IOF incluem, no longo prazo, a revisão de benefícios fiscais, a imposição de uma trava na complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), além da taxação de criptoativos e bets.
Um integrante do governo reforçou à reportagem que as medidas mais "estruturantes", de médio e longo prazo foram apresentadas no contexto da negociação, mas nem todas devem necessariamente prosperar. No curto prazo, ou seja, ainda neste ano, a equipe econômica aposta no aumento do repasse de dividendos pelo BNDES e na alteração do Preço de Referência do Petróleo (PRP), medidas que não dependem do aval do Congresso.
Sem implicações na formação da taxa de câmbio no curto prazo, o Tesouro realizou nesta quarta emissão títulos públicos da dívida soberana brasileira em dólares. Fontes ouvidas pelo Broadcast afirmam que houve captação de US$ 1,5 bilhão com papéis de cinco anos e de US$ 1,25 bilhão em títulos de dez anos, com demanda bem expressiva. A demanda teria superado US$ 10 bilhões.