Dólar sobe para R$ 3,77 e Ibovespa fecha perto da estabilidade
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Dólar sobe para R$ 3,77 e Ibovespa fecha perto da estabilidade

Ibovespa terminou o dia aos 103.775,41 pontos, em baixa de 0,03%

Por
AE

Dólar à vista teve alta de 0,39%

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O Índice Bovespa teve um pregão morno nesta terça-feira e oscilou próximo da estabilidade durante todo o período da tarde, depois de ter ensaiado recuperar o patamar dos 104 mil pela manhã. A escassez de notícias de peso fez com que o mercado operasse com referências dispersas, que contribuíram para o equilíbrio do índice, que terminou o pregão aos 103.775,41 pontos, em baixa de 0,03%. Os negócios somaram R$ 15,2 bilhões.

Esta foi a quarta queda consecutiva do Ibovespa, que acumula perda de 1,93% nesse período. Boa parte desse desempenho é atribuído a uma realização de lucros após a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Para analistas do mercado de renda variável, a conclusão da reforma já está quase toda precificada no mercado de ações. Isso significa que a capacidade de a reforma produzir efeitos positivos na Bolsa já estaria praticamente esgotada. Restaria, ao contrário, algum espaço para correções, uma vez que o mercado monitora os riscos de novos focos de desidratação na matéria.

A principal influência no sinal negativo do dia veio das ações da Petrobras, que perderam mais de 1%, acompanhando as perdas expressivas do petróleo no mercado internacional. Por outro lado, a alta do minério de ferro deu fôlego aos papéis da Vale, que subiram 0,68%.

"Com a reforma já precificada, as atenções tendem a se concentrar nos balanços corporativos do segundo trimestre e nas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O mercado dá como certos os cortes de juros nos dois países, mas discute agora a magnitude deles", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.

Para Glauco Legat, analista da Necton Corretora, o mercado dá sinais de acomodação após o avanço na tramitação da Previdência, com algum desconforto com a desidratação da proposta, além de um mal-estar com a possibilidade de indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

"É importante ressaltar que o que vimos recentemente foi um rali doméstico, uma vez que o saldo dos investidores estrangeiros continua negativo. Mas seguimos otimistas com o Ibovespa, com expectativa de 112 mil pontos no final de 2019, com possibilidade de revisão para 120 mil pontos", afirma Legat.

Na última sexta-feira, 12, o saldo líquido dos investimentos estrangeiros na B3 ficou positivo em R$ 133,183 milhões. No acumulado de julho, no entanto, o saldo de estrangeiros segue negativo, no montante de R$ 844,764 milhões.

Dólar

O dólar fechou na maior cotação em uma semana, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. O noticiário doméstico seguiu fraco e o volume de negócios foi novamente baixo no câmbio, enquanto os investidores aguardam novidades sobre a reforma da Previdência. Lá fora, dados fortes das vendas no varejo dos Estados Unidos ajudaram a fortalecer a divisa americana no mercado financeiro internacional. O dólar à vista terminou cotado perto da máxima do dia, em R$ 3,7709, com alta de 0,39%.
O volume de negócios teve ligeira melhora em relação a ontem, mas seguiu abaixo da média. No mercado futuro, foi de US$ 13,8 bilhões. No mercado à vista, somou US$ 1,1 bilhão. O dólar futuro para agosto fechou em alta de 0,32%, a R$ 3,7730.

"O volume foi surpreendentemente fraco ontem e hoje", destaca o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, ressaltando que as férias aqui e lá fora e a falta de novidades sobre a Previdência desestimulam os negócios. Para ele, aprovada a Previdência, mantida a tendência de queda de juros no exterior e com o governo tomando medidas adicionais para estimular a economia, o dólar pode cair para R$ 3,60.

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch mostra que aumentou o otimismo de investidores internacionais com o Brasil, por conta do avanço da reforma da Previdência nas últimas semanas. A maioria dos investidores (perto de 70%) ouvidos em pesquisa do banco americano entre os dias 5 e 10 de julho espera que o dólar fique na casa dos R$ 3,60 a R$ 3,80 ao final do ano. Ao mesmo tempo, aumentou de 7% para 15% os agentes que veem a moeda caindo abaixo de R$ 3,60.

Para a analista de moedas emergentes do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger, apesar da recente euforia com o Brasil, permanece um certo grau de cautela entre os investidores sobre a Previdência, na medida em que o Senado precisa aprovar o texto em duas votações e ainda há outra sessão na Câmara, que deve acontecer no começo de agosto.

Pelo lado positivo, a analista do Commerzbank ressalta que o risco de fracasso da reforma "caiu significativamente" nas últimas semanas, o que provocou valorização importante do real e a moeda foi destaque entre emergentes. Mas este movimento perdeu fôlego e pode continuar assim, pois não se sabe qual o grau de economia fiscal o governo vai conseguir com o texto. A pesquisa do BofA mostra que aumentou a expectativa dos investidores para que o governo consiga aprovar um texto com impacto fiscal de ao menos R$ 900 bilhões em dez anos.

Juros

Depois de passarem a primeira etapa de negócios com oscilações modestas, próximas à estabilidade, as taxas dos principais contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) ganharam força à tarde e encerraram o pregão regular desta terça em alta, sobretudo entre os contratos mais longos. Segundo operadores, com a paralisação das negociações em torno da reforma da Previdência, investidores se apoiaram na alta do dólar e em uma piora do ambiente externo para emergentes no exterior para realizar lucros e calibrar apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim deste mês (dias 30 e 31). Como ontem, a liquidez foi reduzida em comparação com a semana passada, o que sugere que as altas recentes refletem mais ajustes de posições que mudança de percepção por parte dos agentes.

Nas mesas de renda fixa, está firmada a crença de que a reforma da Previdência será aprovada sem dificuldades em segundo turno na Câmara e que não haverá grande desidratação no Senado. É vista com bons olhos a possibilidade de uma PEC paralela no Senado para inclusão de Estados e municípios. O adiamento da votação, contudo, "traz um pouco de incerteza e gera um ruído, porque atrasa também a perspectiva de novas medidas de estímulo à economia", segundo um experiente operador de renda fixa, para quem o mercado tende a ficar "de lado", com ajustes pontuais motivados pelo ambiente externo.

Lá fora, o dia foi de diminuição do apetite por risco, com valorização global do dólar, o que contribuiu para aumentar os prêmios de risco de emergentes. Dados fortes do varejo dos EUA e declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco Central americano), Jerome Powell, esvaziaram as apostas de que um corte de 0,50 ponto porcentual da taxa básica americana - hoje entre 2,25% e 2,50% -, levando a uma alta das taxas dos Treasuries.

Entre as taxas mais longas, mais ligadas à percepção de risco e mais suscetíveis ao cenário externo, a do DI para janeiro de 2025 atingiu 6,97% na máxima e fechou a 6,96%, ante 6,87% no ajuste de ontem. Já a taxa para janeiro de 2023 avançou de 6,32% para 6,37%.

Para Rodrigo Frachini, estrategista da Monte Bravo, o movimento de alta, sobretudo das taxas longas, representa um movimento natural de recomposição de prêmios, depois da queda expressiva antes da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno no plenário da Câmara. Segundo o estrategista, investidores que esperavam aprovação da Previdência em dois turnos na Câmara antes do recesso parlamentar estão zerando posições prefixadas, o que dá fôlego as taxas. "Essa alta dos juros é um movimento de correção. Essa tendência de recomposição de prêmios tende a permanecer nos próximos dias, mas de uma maneira gradual e bem tranquila", diz Frachini.

Entre as taxas curtas, os movimentos foram um pouco mais modestos. O DI para janeiro de 2021 terminou o dia praticamente estável (5,57%, ante 5,76% ontem). Já o contrato para janeiro de 2020 - veículo principal para apostas em relação ao destino neste ano - subiu de 5,719% para 5,725% - com investidores refinando as apostas para a decisão do Copom.

Segundo cálculos da gestora de recursos Quantitas, houve um aumento marginal nas chances de que a Selic seja reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 6,25% ao ano, neste mês (de 57% ontem para 59% hoje). Grosso modo, o mercado segue dividido entre um corte inicial de 0,25 ponto e uma redução de 0,50 ponto.