Com os dados fortes, a expectativa era de que houvesse valorização do dólar ante as demais moedas. Segundo analistas, ninguém mais do que o Banco Central (BC) brasileiro está torcendo por dados de atividade positivos nos EUA.
"A tendência de queda do dólar permanece e, assim como ontem, as intervenções do BC podem segurar a moeda", diz uma fonte de um banco local. Com o payroll robusto, porém, o movimento de valorização do real pode dar uma trégua. Por outro lado, a expectativa de novas medidas na área cambial prossegue no Brasil.
Ontem, dia de definição da Ptax - taxa de câmbio calculada pelo BC e que serve de referência para a liquidação de contratos futuros -, a autoridade monetária agiu com vigor no câmbio desde cedo e conseguiu fazer o dólar reverter as perdas acumuladas durante o dia. No fechamento, o dólar comercial apresentou leve alta de 0,06%.
O BC fez ontem cinco leilões, três de compra à vista e dois de swap cambial reverso, sendo que no primeiro deles recusou as propostas porque as taxas pedidas eram altas. O presidente da instituição, Alexandre Tombini, também "atuou" para amparar a moeda. Ele deixou o mercado em alerta após declarar, em café da manhã com deputados da Comissão de Finanças e Tributação (CFT), que o BC está focado no combate à inflação, atento ao ingresso de capital especulativo no País e "disposto a tomar novas medidas" para conter a volatilidade do câmbio.
O valor de venda da Ptax ontem encerrou o dia em R$ 1,6287, em baixa de 0,45%, informou o BC. Esta taxa, que é uma média ponderada do dólar à vista pelo volume de negócios, será usada hoje para a liquidação dos contratos futuros de dólar com vencimento em abril.