O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard and Poor's (S&P) nessa quarta-feira deve influenciar as demais agências que ainda classificam o País como grau de investimento, avaliou nesta quinta-feira o estrategista chefe do Crédit Agricole, Vladimir Caramaschi. Ele prevê que as agências Fitch e Moody's devem seguir o rumo da S&P e pelo menos uma delas deve rebaixar o Brasil ainda este ano.
"Acredito que a Fitch, que ainda está dois degraus acima (do grau de investimento), deve se posicionar logo, pois está totalmente incompatível tanto em relação aos indicadores fundamentais da economia e quanto de onde o mercado está colocando os preços", afirmou. Segundo ele, o mercado já deve começar a precificar o rebaixamento pelas outras agências. "Ninguém vai se apegar ao fato de duas ainda não terem rebaixado o Brasil", justificou.
Camaraschi avaliou que a decisão da S&P "veio até tarde demais", pois o Brasil já estava sendo negociado até bem abaixo de patamares de países considerados junks "há bastante tempo". "Na avaliação do mercado, a S&P agiu com cautela", disse. Para o economista, um dos aspectos que chamaram a atenção foi a manutenção do outlook negativo pela agência, o que sinaliza a possibilidade de novo downgrade pela S&P no médio prazo.
Equipe econômica é convocada
A presidente Dilma Rousseff convocou para a manhã desta quinta-feira uma reunião com os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ainda não há informação oficial se o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estará no encontro. A agenda dele cita apenas "despachos internos". Os três ministros formam a Junta Orçamentária.
O governo tem pressa para encontrar saídas que possam dar sinais de compromisso e de segurança com o equilíbrio fiscal e a retomada do crescimento. Também é preciso fechar logo o "adendo" ao Projeto de Lei do Orçamento Anual de 2016 que será enviado ao Congresso com soluções para o rombo de R$ 30,5 bilhões nas contas do ano que vem.
Demais agências de classificação de risco devem seguir S&P
Fitch e Moody's podem rebaixar Brasil ainda em 2015