Em todo o mês passado, os depósitos somaram R$ 105,7 bilhões e as retiradas R$ 99,5 bilhões. Somente no dia 31 de maio, quando passaram a valer as novas regras da remuneração da poupança, os clientes bancários depositaram R$ 6,5 bilhões e retiraram R$ 4,5 bilhões, o que resultou uma captação líquida de R$ 2 bilhões.
Em maio, os rendimentos creditados somaram R$ 2,1 bilhões e o saldo total de poupanças subiu para R$ 441,7 bilhões, dos quais R$ 347,8 bilhões (78,74%) na poupança convencional e R$ 93,8 bilhões (21,25%) na poupança rural. Resta, ainda, um resíduo de R$ 2,7 milhões da antiga poupança vinculada.
O relatório do BC se baseia em dados do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) – que destina 65% dos recursos para o financiamento imobiliário – e da poupança rural. No caso do SBPE, houve captação líquida de R$ 4,9 bilhões em maio. A poupança rural registrou R$ 1,3 bilhão.
O bom desempenho da poupança deve ser creditado à alteração no cálculo do rendimento instituída pela Medida Provisória 567, editada no dia 4 de maio. Segundo a nova regra, sempre que a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a forma de remuneração passa a ser 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR), calculada todos os dias pelo BC.
No último dia 30, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 8,5% ao ano. Assim, a regra de remuneração, que era TR mais 0,5% ao mês, mudou para os depósitos de poupança feitos a partir de 4 de maio. As poupanças antigas continuam com a correção anterior.
Ao definir a nova regra de remuneração, o objetivo do governo é evitar a migração de investidores dos fundos de renda fixa para a poupança, com a Selic igual ou menor que 8,5%. Esses fundos são formados por títulos públicos utilizados pelo governo na rolagem da dívida.
Com a queda da Selic, um fundo de investimento pode pagar menos que a poupança, dependendo da taxa de administração cobrada pela instituição financeira. Com isso, para que o BC tivesse mais espaço para cortar a Selic, sem reduzir a demanda por títulos públicos, foi necessário fazer mudanças na remuneração da poupança.
Pelos cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), a remuneração da poupança antiga, de 6,17% ao ano, baixou para 5,95% ao ano para novos depósitos, e após o anúncio das mudanças, os bancos passaram a emitir extratos com saldos diferenciados das cadernetas de poupança para depósitos novos e antigos.
A poupança não cobra Imposto de Renda, nem taxa de administração, diferentemente dos fundos de investimento. A Anefac assegura que, mesmo com remuneração menor que na antiga poupança, a caderneta tradicional vai continuar sendo mais interessante que os fundos de renda fixa.