As medidas, aprovadas pelo Senado na sexta-feira e que fazem parte de uma emenda à proposta orçamentária de 2012, preveem uma rodada bem mais pesada de austeridade fiscal, que provavelmente será implementada por um governo de união. A expectativa é de que o governo de emergência seja liderado pelo senador vitalício Mario Monti, com quem Berlusconi se reuniu por duas horas neste sábado.
A votação na Câmara foi acompanhada de perto, porque Berlusconi afirmou que renunciaria assim que as medidas fossem aprovadas no Parlamento. Espera-se que Berlusconi apresente ainda hoje sua carta de renúncia ao presidente italiano, Giorgio Napolitano.
A chegada de Berlusconi ao plenário foi recebida com aplausos de sua base parlamentar, que também mostrou seu apoio ao porta-voz do partido governamental Povo da Liberdade (PDL) na Câmara, Fabrizio Cicchitto, que defendeu a atuação do primeiro-ministro. Após a aprovação definitiva da Lei de Orçamentos, está previsto que Berlusconi participe de um Conselho de Ministros e que depois vá ao Quirinale, sede da Presidência da República, para apresentar sua renúncia ao chefe do Estado, Giorgio Napolitano.
Enquanto a votação acontecia dentro do palácio de Montecitorio, sede da Câmara, do lado de fora várias pessoas se concentraram para pedir a saída do premiê. Alguns dos manifestantes levaram cartazes nas quais agradeciam a Napolitano por sua atitude nesta crise política e elogiavam que "finalmente" Berlusconi abandonaria o poder, enquanto outros reproduziam a capa da revista "Time", na qual aparece uma foto do primeiro-ministro sob o título "O homem por trás da economia mundial mais perigosa".
Caso realmente ocorra a renúncia de Berlusconi, que está prevista para as 20h30min hora local (17h30min de Brasília), será aberta oficialmente na Itália uma crise de governo, que levará o chefe de Estado a abrir um período de consultas para determinar, entre outras opções, se forma um governo de tecnocratas ou se convoca novas eleições.
Tudo indica que a opção será a de formar um governo técnico com o economista Mario Monti. Ele foi designado senador vitalício na última quarta-feira pelo chefe de Estado italiano, o que foi interpretado como um respaldo à sua candidatura, que também reúne apoios internacionais, como o do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o da chanceler alemã, Angela Merkel.
No entanto, nas últimas horas surgiram divergências dentro do PDL no que se refere ao apoio a Monti, e nomes de outros possíveis candidatos foram comentados, como o secretário-geral do partido, Angelino Alfano, e o economista e ex-primeiro-ministro Lamberto Dini.