"No final do ano passado e início deste ano, tomamos a nosso ver medidas necessárias para que o desequilíbrio, que naquele momento se mostrava bastante acentuado entre a taxa de crescimento da demanda e da oferta, viesse abaixo", disse Vasconcelos. "Aos poucos, respeitando as defasagens de política monetária, que são cumulativas, (o nível de atividade) respondeu. O próprio setor de serviços, que era mais resiliente, tem se moderado", afirmou. Segundo o diretor do BC, até mesmo o mercado de trabalho, que mostra "pleno emprego em alguns setores", também vem diminuindo seu ritmo de abertura de vagas.
"Apesar da inflação, que está num nível elevado, é verdade, a inflação mensal já vem se posicionando em patamar mais moderado", disse o diretor do Banco Central. "A inflação em 12 meses começou a cair e neste quarto trimestre continuará caindo", destacou.
Na avaliação de Vasconcelos, o País vive uma conjuntura econômica favorável, marcada por vários indicadores. Além do IPCA apresentar diminuição de ritmo, o balanço de pagamentos está "relativamente equilibrado", pois o déficit de conta corrente deve ser da ordem de 2% do PIB neste ano, o que, segundo ele, é "plenamente financiável" com investimentos diretos.
"Temos contas fiscais relativamente muito boas, com superávit primário de mais de 3% do PIB neste ano e a divida PIB líquida em torno de 38%", afirmou. "O Brasil, entre as economias mais importantes, talvez tenha sido o único país que conseguiu crescer há mais de uma década, com redução de desigualdade. E vivemos num mundo extremamente complexo", disse. "Colocando tudo isso junto, uma taxa de crescimento entre 3% e 3,5% (em 2011) é um resultado bastante importante e precisa ser comemorado."