O mercado de trabalho dos assalariados rurais no Rio Grande do Sul, com ênfase na regulação das relações de trabalho e na representatividade dos trabalhadores por meio dos sindicatos rurais, foi pauta levantada por Davide Carbonai, professor adjunto no Departamento de Ciências Administrativas da UFRGS, em painel sobre o trabalho rural no Rio Grande do Sul no segundo e último dia do seminário do Observatório do Trabalho do RS, promovido pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Ele também abordou os desafios enfrentados por essa categoria em um contexto de crescente precarização, terceirização e flexibilização das normas trabalhistas.
O seminário buscou discutir políticas públicas para contribuir para qualificação do trabalho, emprego e renda nesta quarta e quinta-feira, dias 23 e 24, no Auditório Romildo Bolzan do Tribunal de Contas do Estado, em Porto Alegre. Em sua fala, Carbonai destacou os recentes casos de trabalho análogo à escravidão, principalmente na Serra Gaúcha, os casos de trabalho informal e a importância da organização sindical para a defesa dos direitos dos trabalhadores rurais e organização de políticas públicas, ainda sobre a importância de haver estratégias pela Superintendencia Regional Do Trabalho para o mercado nessa área.
“A desigualdade e a ganância ainda mudam as relações de trabalho no campo, e esse também é o mercado de trabalho no meio rural. Não é só uma curva da procura e da oferta, mas um conjunto de instituições sociais que mudam o trabalho, mudam o mercado e as relações trabalhistas. E não só na Serra, ainda que as estatísticas sugerem que o problema exista”, diz.
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José Scorsatto, diretor-presidente da FGTAS, lembra que o Observatório Trabalho tem a função de ouvir diversos segmentos da sociedade e compreender as dificuldades encontradas dentro de cada realidade, e que atuaram em conjunto com a Superintendência do Trabalho para diluir os recentes casos de trabalho análogo à escravidão, que ocorreram à época do seu ingresso na Fundaçaão.
A mesa contou, também, com apresentações de Carolina Freddo Fleck, professora da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), e Everton Picolotto, Professor Associado do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria.
Outros temas debatidos até o final do evento foram trabalho e educação, com a presença de Julice Salvagni, da Ufrgs; de Maria Cristina França, do IFRS, e de Raul Assumpção Bastos, do departamento de Economia e Estatística. Para Bruno de Melo, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Santiago, que mediará a conversa, o mundo dos negócios está em constante mudanças, cada vez mais tecnológico, e os postos de trabalho estão impactados.
“Todas essas mudanças, e principalmente a tecnologia que está se inserindo, vem trazer transformações nos postos de trabalho, tanto aqueles tradicionais, quanto novas profissões que estão surgindo. Na educação, as escolas profissionalizantes, principalmente, vão ter que rever sua grade curricular em relação às novas profissões”, diz. Ele ainda acrescenta que as informações levantadas no evento devem ser levadas ao poder público. “Assim, nós vamos conseguir tomar as decisões mais assertivas em relação aos projetos desenvolvidos no mercado, completa.