Economia

Desafios e tecnologias inovadoras para a economia circular é tema de evento internacional com participação da Braskem

Sessões trataram de projetos que buscam a redução do impacto ambiental nas cadeias produtivas e matérias-primas sustentáveis que inovam o mercado da circularidade

O processo de transição da economia linear para a economia circular foi debatido em sessões partes do Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF) 2025, em São Paulo. A iniciativa global promovida pelo Fundo de Inovação Finlandês Sitra acontece pela primeira vez na América Latina. Promovidas pelo Cazoolo, laboratório de design de embalagens circulares da Braskem, as sessões trataram de projetos que buscam a redução do impacto ambiental nas cadeias produtivas e matérias-primas mais sustentáveis que inovam o mercado.

Sendo uma alternativa ao atual modelo linear de produção, a economia circular, em vez do retorno para o ciclo econômico ou para a natureza, consiste na gestão de recursos finitos, prezando pela regeneração e diminuição do uso de materiais.

Entre os painéis, que acontecem nesta quinta e sexta-feira, foi tratado sobre o papel dos bioplásticos na economia circular de carbono neutro, com panorama sobre alternativas do mercado para apoiar na descarbonização da cadeia e no combate às mudanças climáticas. Foi abordado o atual cenário regulatório e as melhores práticas para a tomada de decisões sustentáveis, como a Avaliação de Ciclo de Vida e a rastreabilidade. Ainda, os principais atributos dos bioplásticos e como eles podem acelerar a transição para uma economia circular de carbono neutro.

Outro tema tratado no evento foi sobre a aceleração da circularidade dos plásticos, com insights práticos para alavancar a economia circular e superar os desafios técnicos e econômicos da reciclagem dos plásticos por meio de novas tecnologias e incentivos regulatórios. Considerando que a transição global para uma economia circular exigem ações concretas para enfrentar os desafios associados ao plástico, a sessão focou em como explorar os materiais reciclados pós-consumo com tecnologias inovadoras, barreiras atuais e oportunidades de mercado.

Em coletiva de imprensa, Alex Duarte, líder comercial de I’m Green bio-based para América do Sul, salientou os principais desafios atuais para a transição no mercado de bioplásticos, que consistem em plásticos derivados de fontes renováveis de biomassa e que são biodegradáveis. Uma delas é a desinformação sobre os produtos. Segundo o líder, existe muito desconhecimento sobre os bioplásticos, e muitas pessoas acabam atrelando à biodegradabilidade, ou seja, a capacidade de um material ser decomposto por organismos vivos, como compostagem. Ele também lembra que a Braskem realiza a produção de biopolímeros recicláveis, feitos com matéria prima renovável.

Alex afirma que as características do material são as mesmas da fonte fóssil, ou seja, possui as mesmas propriedades e performance da versão feita com polietileno (PE) de origem fóssil, mas que essa informação não alcança o mercado de uma forma geral.

O custo também é um entrave para o desenvolvimento do uso do material. Ele afirma que a rota técnica para obter o polietileno de fonte renovável e o custo maior do polietileno fóssil é um entrave.

Yuri Tomida, head do Cazoolo, contou sobre o trabalho de inovação da empresa na cadeia de embalagem para pensar em novas soluções para a economia circular, com projetos que surgem da demanda de clientes da Braskem. Ele lembra que, ao circularizar um modelo, é importante considerar outros atores nessa cadeia, como as cooperativas de catadores. Ainda, destaca a necessidade de conversas, participação e integração desses outros atores no processo de desenvolvimento para ampliar o olhar da circularidade sistêmica. Os "sprints de inovação" devem ser validados com as marcas, levando análises para uma escala industrial, diz Tomida.

Fernanda Queiroga, diretora de economia circular da Braskem, tratou das discussões da empresa sobre o tratado internacional dos plásticos, reforçando a posição da indústria ser favorável a um acordo global e a participação das discussões de pontos para trazer à realidade local a legislação que incentiva a circularidade do plástico, com o objetivo da reutilização de resíduos. Ela diz que o governo brasileiro tem se posicionado na busca de consenso, interesses comuns em prol da circularidade, e que buscam aproximação de diferentes países para mecanismos de financiamento. Ainda, tratando questões polêmicas, como a regulação de produtos químicos, mas buscando alternativas para evitar mais impactos ao meio ambiente.

Ela lembra que os incentivos regulatórios são fundamentais para a infraestrutura de coleta e separação, também para o acesso a fontes de matérias. Ainda, que políticas públicas, ajuste na tributação e incentivo de investimento contribuem para a competitividade para acelerar a transição.

Em relação aos desafios para acelerar a circularidade, Fernanda destaca que, antes mesmo dos processos regulatórios e a inovação, a mudança de comportamento e a visão das pessoas é uma importante questão para se pensar na transição para a economia circular. Ela salienta a necessidade de se olhar para o tema como uma oportunidade de negócios, e que todos podem ter sua participação nesse processo, já que inspirando pessoas, principalmente da geração mais recente, pode contribuir para a resiliência e conscientização, derrubando barreiras.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio